
A proporção de pessoas em situação de pobreza nas principais regiões metropolitanas do Brasil caiu de 19,5% em 2024 para 18,4% em 2025, segundo o boletim Desigualdade nas Metrópoles. O resultado representa o menor índice da série histórica iniciada em 2012 e marca o terceiro ano consecutivo de redução do indicador.
O estudo, elaborado pela PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) Data Social em parceria com o Observatório das Metrópoles, mostra que a renda aumentou em todas as faixas da população. A renda domiciliar per capita média atingiu R$ 2.766 por mês em 2025, avanço de 6,8% em relação ao ano anterior e novo recorde da série.
Apesar da melhora nos rendimentos, a desigualdade voltou a crescer. O índice de Gini das regiões metropolitanas passou de 0,533 para 0,541 entre 2024 e 2025. Segundo o pesquisador André Salata, “a renda continuou aumentando, mas a desigualdade subiu um pouco. Quer dizer, o volume de recursos aumentou, mas a gente passou a distribuí-los [de modo] um pouco pior, de maneira mais desigual”.
Os dados mostram que os 40% mais pobres tiveram aumento de 4,2% na renda média, chegando a R$ 734 por mês. Já entre os 10% mais ricos, o crescimento foi de 9,1%, alcançando R$ 11.837 mensais. Para pesquisadores do estudo, a recuperação do mercado de trabalho e os ganhos financeiros em um cenário de juros elevados contribuíram para o desempenho mais favorável das faixas de renda mais altas.

Em números absolutos, as regiões metropolitanas reuniam 15,2 milhões de pessoas em situação de pobreza em 2025, o menor contingente da série histórica. O total, porém, ainda supera a população da cidade de São Paulo. Em comparação com 2021, período marcado pelos efeitos da pandemia, houve redução de 10,4 milhões de pessoas nessa condição.
A extrema pobreza também apresentou queda. A taxa recuou de 3,4% para 3,2%, o equivalente a 2,6 milhões de pessoas. Embora seja um dos menores níveis registrados, o contingente ainda supera a população de capitais como Belo Horizonte e Manaus.
O levantamento também apontou diferenças expressivas entre as metrópoles brasileiras. Brasília registrou o maior índice de desigualdade do país, enquanto Cuiabá teve o menor. Já a taxa de pobreza variou de 7,7% em Florianópolis a 34,1% em Fortaleza. Na Grande São Paulo, o índice ficou em 13,1%, abaixo da média das regiões metropolitanas analisadas.