
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, falou do gigante Sócrates, craque do Corinthians e da seleção brasileira, em seu programa “The Morning Pitch”.
Com a promessa de preparar os novaiorquinos para o Mundial, o socialista muçulmano aproveita o espaço não apenas para atualizações de trânsito e clima, mas para trazer uma reflexão histórica e política do esporte.
Antecipando o aguardado confronto entre Brasil e Marrocos deste sábado (13), Mandani resgatou a memória de um dos maiores ícones do futebol mundial.
“Tenho pensado ultimamente em Sócrates. Não o antigo filósofo grego, mas o maestro do meio-campo brasileiro”, afirmou Mamdani.
Ele relembrou o período em que Sócrates defendeu a seleção e o Corinthians, entre as décadas de 1970 e 1980, contextualizando o ambiente da época.
Enquanto o regime impunha o medo, Sócrates e seus companheiros de equipe decidiram fundar a Democracia Corinthiana, um modelo autogestionário pioneiro no esporte, disse.
“Se você era o atacante estrela ou trabalhava na lavanderia, você tinha o mesmo voto”, ressaltou Mandani, destacando o impacto do movimento enquanto a ditadura perseguia seus cidadãos. O ápice do protesto ocorria quando os jogadores entravam em campo vestindo uniformes com a frase “Eu quero votar para presidente”.
“No Corinthians, o clube que ele capitaneou, Sócrates e seus companheiros de equipe compartilharam o que todos os dias os brasileiros sonhavam: democracia”.
Além do resgate histórico, Mamdani reforçou o compromisso da cidade de Nova York com a logística dos oito jogos que serão sediados na região. Ele reiterou que as agências locais passaram anos se planejando e que a cidade está totalmente preparada para as alterações de tráfego e o fluxo massivo de turistas.
Simplesmente o prefeito de Nova York citando CORINTHIANS, SÓCRATES e DEMOCRACIA CORINTHIANA no discurso de hoje sobre a Copa do Mundo pic.twitter.com/m0kCxpTsal https://t.co/7IQr346h0t
— Atlas 1910 (@Atlas_1910) June 13, 2026
A Democracia Corintiana foi um movimento criado no início dos anos 1980. Sócrates era o líder de um grupo que tinha ainda jogadores como Wladimir, Casagrande e Zenon. A iniciativa defendia a participação coletiva nas decisões do clube e se tornou um símbolo de organização democrática dentro do esporte.
Na prática, atletas, comissão técnica e funcionários tinham o mesmo peso nas votações sobre temas importantes do cotidiano. Questões como contratações, concentração, rotina de treinamentos e até assuntos relacionados à liberdade de expressão eram decididas de forma conjunta, em um modelo de autogestão pouco comum no futebol da época.
O movimento ganhou força em 1982, após a eleição de Waldemar Pires para a presidência do time. Para comandar o departamento de futebol, ele escolheu o sociólogo Adilson Monteiro Alves, que adotou uma gestão baseada no diálogo e na participação dos jogadores. A combinação entre essa nova visão administrativa e a presença de atletas politicamente engajados abriu espaço para uma transformação inédita no clube.
Mais do que uma experiência esportiva, a Democracia Corintiana ultrapassou os limites do futebol e se conectou ao contexto político do país, então nos últimos anos da ditadura militar. O movimento passou a defender valores democráticos dentro e fora dos gramados, tornando-se uma referência histórica na luta pela participação e pela liberdade de expressão no Brasil.