
Os Estados Unidos e Irã anunciaram no fim de semana um acordo para interromper o conflito iniciado há mais de três meses no Oriente Médio. Apesar do anúncio, o entendimento não representa o encerramento imediato da guerra.
O texto estabelece inicialmente um cessar-fogo enquanto os dois governos negociam temas considerados centrais para uma solução definitiva. O principal ponto pendente envolve o programa nuclear iraniano. Segundo autoridades de Teerã, as partes terão até 60 dias para tentar chegar a um consenso.
O governo de Donald Trump exige o encerramento completo das atividades de enriquecimento de urânio, alegando que elas podem ser utilizadas para a produção de armas nucleares. O Irã rejeita essa interpretação e sustenta que seu programa tem finalidade exclusivamente civil.
O acordo foi anunciado no domingo (14) e assinado virtualmente pelo presidente Donald Trump, pelo vice-presidente J.D. Vance e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Ghalibaf, que recebeu autorização do líder supremo do Irã para representar o país. Uma cerimônia presencial está prevista para sexta-feira (19), em Genebra, na Suíça.
Para o governo iraniano, o documento firmado de forma virtual ainda é apenas um memorando de entendimento. Teerã considera que a formalização definitiva ocorrerá somente após a assinatura presencial e a implementação oficial dos compromissos assumidos por ambas as partes.
Embora os termos completos não tenham sido divulgados, a imprensa estatal iraniana informou que o texto inclui propostas como um pacto de não agressão entre os envolvidos, a reabertura das rotas marítimas comerciais da região, discussões sobre compensações por danos de guerra, redução gradual das sanções econômicas e retirada de forças militares dos Estados Unidos de áreas estratégicas do Oriente Médio.

Outro tema que continua cercado de dúvidas é o futuro do Estreito de Ormuz, rota por onde passa uma parcela significativa do comércio mundial de petróleo. Washington e Teerã afirmaram que o corredor marítimo será reaberto imediatamente. Trump declarou ter determinado o fim do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos na região.
Apesar disso, persistem divergências. O presidente norte-americano afirmou que a movimentação de embarcações já começou a ser retomada, mas o governo iraniano não confirmou a informação. Além disso, o Ministério da Defesa do Irã anunciou a criação de uma “taxa de serviço” para navios que utilizarem o estreito, medida que Trump afirma contrariar os termos do acordo.
As sanções econômicas impostas ao Irã também deverão ser discutidas ao longo do processo. Os Estados Unidos concordaram em flexibilizar parte das restrições, mas de forma gradual e condicionada ao cumprimento das etapas previstas.
Para Teerã, a retomada das exportações de petróleo é considerada essencial para recuperar a economia após meses de conflito. O cenário permanece indefinido também no Líbano. O governo iraniano exige o fim das operações militares israelenses no território libanês, onde atua o Hezbollah, grupo aliado de Teerã.
No entanto, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta segunda-feira (15) que tropas israelenses continuarão em áreas ocupadas dentro do Líbano “até que seja necessário”, indicando que uma solução definitiva para essa frente do conflito ainda está distante.