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Em reunião do G7, Lula defende soberania e cita fortuna de Elon Musk

Presidente Lula durante reunião ampliada do G7. Foto: Divulgação

O presidente Lula participou nesta terça-feira (16) da reunião ampliada do G7, em Évian-les-Bains, na França, e defendeu que a cooperação internacional contra o crime organizado seja conduzida com respeito à soberania dos países.

Sem mencionar diretamente os Estados Unidos ou o presidente Donald Trump, ele afirmou que o enfrentamento às organizações criminosas deve ocorrer por meio de coordenação entre governos e instituições multilaterais. Durante o encontro, que reuniu líderes do G7 e países convidados, o presidente destacou que o crime organizado representa um desafio global e afeta diretamente comunidades e políticas públicas.

“Um deles [dos temas principais do encontro] é o desafio do crime organizado, que aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas. Esse esforço deve levar em conta o respeito à soberania dos Estados”, declarou.

Lula também defendeu uma abordagem ampla no combate às redes criminosas, incluindo não apenas o tráfico de drogas, mas outras atividades associadas. “O enfrentamento ao narcotráfico não pode ser dissociado de outros ilícitos como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas. Valorizar o diálogo e a cooperação institucional, inclusive por meio da Interpol, contribuirá para a localização de ativos e indivíduos vinculados a essas atividades criminosas”, afirmou.

A fala ocorreu em meio às divergências entre Brasil e Estados Unidos sobre a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo norte-americano. Embora não tenha citado o tema diretamente, o discurso foi interpretado por integrantes do governo como uma defesa da cooperação internacional baseada em mecanismos multilaterais.

Ao abordar a economia global, Lula criticou medidas unilaterais e o avanço de políticas protecionistas. “O protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas”, disse.

Líderes durante o G7 na França. Foto: Divulgação

Em seguida, acrescentou: “Ficamos aprisionados em dogmas que defendem desregulamentação de mercados, Estado mínimo e austeridade fiscal como fins em si mesmos. O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias”.

O presidente também dedicou parte de sua intervenção ao tema da desigualdade social. Sem citar nomes, fez referência ao crescimento da concentração de riqueza no mundo. “O primeiro trilionário do mundo é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial. A extrema concentração de riqueza decorre de décadas de políticas pró-bilionários”, afirmou.

Em outro trecho do discurso, Lula defendeu mudanças no sistema financeiro internacional e cobrou maior compromisso político para enfrentar problemas globais.

“Nossa tarefa é corrigir as desigualdades de um sistema que produz riqueza em abundância, mas que distribui oportunidades de forma profundamente assimétrica. […] Precisamos de um sistema financeiro no qual os países não sejam obrigados a escolher entre pagar credores e alimentar suas crianças. Está claro que o desafio não é administrar a escassez, o déficit que enfrentamos é de implementação e de vontade política.”

Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro já indicavam que o presidente evitaria transformar sua participação no G7 em um confronto direto com os Estados Unidos. A estratégia era reforçar posições já defendidas pelo Brasil em temas como comércio internacional, soberania e cooperação multilateral, sem concentrar o discurso nas recentes tarifas anunciadas por Washington.

O tema das sobretaxas, porém, segue no centro das preocupações do governo. Os Estados Unidos iniciaram o processo para aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros, que podem chegar a 37,5% em alguns casos.

O Itamaraty já manifestou “profunda discordância” em relação às justificativas apresentadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e tem defendido os avanços brasileiros em áreas como combate ao desmatamento e ao trabalho forçado.