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Bet patrocinadora de Neymar alega crise e corta vale-refeição de funcionários

Neymar Blaze
Neymar é um dos patrocinados pela Blaze. Foto: Reprodução/Redes Sociais

A Blaze, plataforma de apostas patrocinadora de Neymar, cortou o vale-refeição de cerca de 150 trabalhadores e passou a cobrar o retorno presencial de funcionários que moram em São Paulo. A mudança atingiu principalmente empregados em regime remoto e abriu uma disputa interna sobre benefícios e modelo de trabalho. Com informações do Brasil de Fato.

A empresa comunicou a decisão no fim de maio e atribuiu a medida a dificuldades enfrentadas pelo setor de apostas regulamentadas no Brasil. Em mensagem interna, a Blaze citou aumento de custos operacionais e tributários, insegurança jurídica e mudanças no cenário regulatório.

No comunicado, a companhia também mencionou o crescimento de plataformas ilegais e a ampliação de exigências para operadores que atuam dentro da legislação brasileira. A Blaze ainda apontou preocupações com o ambiente político e eleitoral do país ao justificar ajustes internos.

Dos quase 200 empregados da empresa no Brasil, aproximadamente 150 perderam o vale-refeição, segundo relatos de trabalhadores. Funcionários que atuam presencialmente mantiveram o benefício, enquanto os empregados remotos passaram a ficar sem o pagamento.

Ilustrativo
Comunicado obtido pelo Brasil de Fato feito pela Blaze a trabalhadores. Foto: Divulgação/BDF

Trabalhadores relatam pressão para voltar ao escritório

Além do corte no benefício, trabalhadores afirmam que a Blaze exigiu a volta ao trabalho presencial de quem reside em São Paulo. Segundo os relatos, a empresa teria desligado cerca de 30 pessoas que não aceitaram abandonar o regime remoto.

Um funcionário ouvido sob condição de anonimato disse que houve pressão para que empregados aceitassem o novo modelo de trabalho. Trabalhadores também afirmam que a companhia implementou as mudanças sem diálogo prévio e sem espaço de negociação.

O advogado trabalhista Douglas Matos questionou a legalidade da alteração e citou o artigo 468 da Consolidação das Leis do Trabalho, que proíbe mudanças contratuais prejudiciais ao empregado. Para ele, benefícios ligados à alimentação exigem cautela, e acordos coletivos com sindicatos podem dar mais segurança jurídica a empresas e trabalhadores.

A Blaze negou que tenha demitido funcionários por recusa ao trabalho presencial e afirmou que suas decisões seguem critérios técnicos, operacionais e legais. A empresa declarou que mantém políticas internas baseadas em responsabilidade e transparência e que respeita a legislação trabalhista e o marco regulatório vigente. A marca tem faturamento estimado em US$ 115 milhões, cerca de R$ 600 milhões, em 2025, patrocina Neymar e mantém parcerias com nomes como Virginia Fonseca, Juju Salimeni, MC Daniel e Bianca Biancardi; nos últimos anos, também acumulou reclamações de apostadores e citações na CPI das Pirâmides Financeiras.