
A pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) pretende usar a operação da Polícia Federal contra Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, para tentar mudar o eixo do desgaste provocado pela relação do senador bolsonarista com Daniel Vorcaro, banqueiro preso no caso Master.
Segundo a coluna Painel, da Folha, aliados de Flávio Bolsonaro rejeitam a leitura de que a operação apenas “empatou” o jogo político com a campanha de Lula. A avaliação no entorno do senador é de que o caso envolvendo Wagner deve ser apresentado como mais grave do que as mensagens trocadas entre Flávio e Vorcaro.
A linha que os bolsonaristas pretendem explorar é a comparação entre o que chamam de uma relação privada de Flávio Bolsonaro com o banqueiro e um suposto esquema envolvendo Wagner e outros agentes públicos ligados ao PT. Entre os nomes que devem ser citados nessa narrativa estão os ex-ministros Guido Mantega e Ricardo Lewandowski.
A campanha também pretende lembrar a visita de Daniel Vorcaro ao Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, para um encontro com Lula. A estratégia é tentar aproximar o escândalo do Banco Master do governo federal, embora a própria leitura de aliados reconheça que o presidente não foi diretamente implicado.

O movimento ocorre depois de Flávio Bolsonaro ser atingido pelo mesmo caso Master. A crise ganhou força com a revelação da relação do senador com Vorcaro e com episódios ligados ao filme “Dark Horse”, que viraram munição para adversários do bolsonarista na pré-campanha presidencial.
Jaques Wagner foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, que também mirou Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. A investigação apura suspeitas de pagamentos, favorecimentos e movimentações patrimoniais vinculadas ao banco. O senador nega ter recebido dinheiro de Vorcaro ou do Master.
No plano eleitoral, a ofensiva mostra como o caso Master virou uma disputa de narrativa entre bolsonaristas e petistas. De um lado, Flávio Bolsonaro tenta se descolar de Vorcaro e empurrar o foco para o governo Lula. De outro, a relação do senador com o banqueiro preso segue como um dos pontos mais explorados por seus adversários.
A aposta de aliados de Flávio Bolsonaro é que o caso Wagner ajude a reduzir o dano político acumulado nas últimas semanas. O risco, porém, é que a tentativa de usar o escândalo contra o PT mantenha o próprio caso Master no centro da eleição — e preserve também a exposição da relação do senador com Daniel Vorcaro.