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“Desastroso”, diz Financial Times sobre vídeo de Michelle contra Flávio Bolsonaro

Michelle Bolsonaro
Michelle Bolsonaro em vídeo contra Flávio. Foto: Reprodução

O jornal britânico Financial Times classificou o vídeo de Michelle Bolsonaro contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como “mais um revés” para a pré-campanha presidencial do parlamentar. O veículo avalia que a crise familiar enfraquece sua tentativa de ampliar apoio entre mulheres e evangélicos.

Segundo a reportagem, a disputa pública entre a ex-primeira-dama e o enteado expõe a “desarmonia” daquilo que o periódico chamou de “realeza política de direita do Brasil”. O texto afirma que Flávio chegou a aparecer empatado com o presidente Lula em pesquisas, mas perdeu força após “alguns deslizes”.

O Financial Times cita, entre esses problemas, a ligação de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso por fraude bilionária. A crise com Michelle surge quando aliados tentavam reduzir a rejeição ao senador e desvincular a candidatura do desgaste associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

“A disputa pública expõe uma antiga desarmonia entre Michelle, que se tornou uma figura popular entre os conservadores brasileiros , e os quatro filhos políticos de seu marido, de 71 anos”, diz o texto.

Para o jornal, os vídeos divulgados por Michelle têm efeito “desastroso” para a campanha porque alimentam uma percepção negativa de Flávio entre eleitoras. A publicação afirma que a controvérsia projeta uma imagem de comportamento “sexista” justamente quando a equipe do senador buscava melhorar seu desempenho no eleitorado feminino.

“Embora Jair Bolsonaro continue sendo o líder supremo dos conservadores brasileiros, sua esposa emergiu como uma importante figura política. Michelle lidera a ala feminina do Partido Liberal e é cotada como possível candidata ao Senado. Cristã devota e fluente em Libras, ela conta com forte apoio entre o crescente número de mulheres evangélicas no Brasil”, diz outro trecho da reportagem.

Reportagem do Financial Times sobre vídeo de Michelle Bolsonaro. Foto: Reprodução

Campanha avalia dano entre mulheres e evangélicos

Integrantes da pré-campanha de Flávio avaliam reservadamente, segundo o jornal O Globo, que o episódio atingiu um dos principais eixos da estratégia eleitoral montada desde o início do ano. Pesquisas internas vinham orientando o senador a ampliar sua presença entre as mulheres, que formam a maioria do eleitorado brasileiro.

A pesquisa Genial/Quaest divulgada neste mês apontou Lula com 41% das intenções de voto entre mulheres, contra 24% de Flávio. No cenário geral, a diferença registrada foi de 39% para 29%, dado que aumenta o peso político de Michelle, presidente do PL Mulher desde 2023.

Na semana passada, o bispo Robson Rodovalho disse que “o evangélico perdeu a confiança em Flávio por não falar a verdade sobre Vorcaro”, em referência às mensagens com pedidos de recursos para a produção  de “Dark Horse”, cinebiografia de Bolsonaro.

Michelle relata telefonema ríspido e Flávio nega desrespeito

No vídeo de cerca de 27 minutos, Michelle Bolsonaro afirmou que Flávio a desrespeitou durante uma conversa telefônica e voltou a criticar o apoio do PL ao ex-ministro Ciro Gomes no Ceará. “Ele (Flávio) foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone. Eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, declarou.

Flávio Bolsonaro respondeu poucas horas depois e negou ter tratado a madrasta de forma desrespeitosa. “Casado há 16 anos, pai de duas filhas maravilhosas e nunca desrespeitei, maltratei ou humilhei uma mulher na vida”, afirmou o senador.

Aliados citados por O Globo disseram que Flávio se irritou com a repercussão do vídeo e alegou surpresa com a divulgação. Mesmo assim, adotou tom conciliador, pediu desculpas a Michelle e a convidou para participar de um evento voltado ao público feminino.

Depois da resposta do senador, Michelle publicou mensagem nas redes sociais dizendo que “não tem raiva de ninguém” e que “não há briga nem competição”. A manifestação sinalizou uma tentativa de baixar a tensão pública após a troca de acusações.