O gol de Gabriel Martinelli narrado por Galvão Bueno! Brasil 2 x 1 Japão!!
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— LIBERTA DEPRE (@liberta___depre) June 29, 2026
Há locutores de futebol. E há Galvão Bueno. Eu nunca achei que fosse escrever isso, mas o tempo produz milagres.
Esta deve ser sua última Copa do Mundo, e nós sentiremos sua falta. Eu tentei ver o Brasil pela CazéTV e pela Globo. Insuportáveis, cada uma à sua maneira.
Na vitória sobre o Japão, Galvão foi o cronista da epopeia, mestre dos bordões fora de hora (“Olha o gol!, olha o gol!”).
Durante anos, exigimos dele a falsa virtude da imparcialidade. Felizmente, ele desistiu desse teatro. Hoje torce abertamente e um abraço. A ponto de gritar “acabou” horas antes do apito final.
Galvão cresceu com os anos. Virou um clássico. Detona a organização da Copa, reclama da FIFA — ele não está nem aí. Superou Osmar Santos e Luciano do Valle (Silvio Luiz era uma mala sem alça).
Antes que o lance aconteça, sua voz já parece conhecer o destino da bola, ainda que fale uma tremenda besteira. O videotape é burro, dizia o profeta Nelson Rodrigues.
Galvão, aos 190 anos, é mais necessário do que nunca para humanizar um esporte em que o VAR impede o sagrado erro e a pelota tem um chip.
É um patrimônio nacional. O homem merecia uma estátua. Sobreviveu à saída da Globo. Reclamou de Pelé ao vivo, tretou com Neymar, fez uma dupla inesquecível com Arnaldo Cézar Coelho, sua vítima predileta, enquadrou Glória Maria.
Depois de velho, Miyamoto Musashi, o maior samurai da história, escreveu que “a observação e a percepção são duas coisas distintas; o olho que observa é mais forte, o olho que percebe é mais fraco”.
Galvão Bueno fareja a tragédia, adivinha a glória e sabe que, em certos jogos, o silêncio vale mais do que mil palavras — ainda que ele não consiga ficar quieto nunca.
