
Mohamed Salah tenta levar o Egito às oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 enquanto carrega um legado que ultrapassa o futebol: sua passagem pelo Liverpool coincidiu com uma queda expressiva em crimes e publicações de preconceito contra muçulmanos na Inglaterra.
Um estudo da Universidade de Stanford, realizado entre 2017 e 2019, apontou redução de 19% nos crimes relacionados ao preconceito contra muçulmanos em Liverpool após a chegada do atacante ao clube inglês. A pesquisa também identificou queda de 53% nas publicações de teor anti-islâmico feitas por torcedores dos oito maiores clubes da Premier League.
Os pesquisadores atribuíram o efeito ao desempenho esportivo de Salah e à forma como ele sempre viveu publicamente sua fé. Depois dos gols, o atacante repetia a celebração muçulmana em que se ajoelha em oração com a cabeça apoiada no chão, gesto que ganhou visibilidade em estádios e transmissões.
Salah encerrou em maio uma das passagens mais importantes da história recente do Liverpool. Em oito anos, deixou o clube como terceiro maior artilheiro de todos os tempos, com 255 gols, e conquistou nove títulos, entre eles a Liga dos Campeões, o Mundial de Clubes e duas edições da Premier League. Livre no mercado, ainda não definiu o próximo clube.
Egito tenta campanha inédita na Copa de 2026
Na seleção, Salah busca conduzir o Egito à melhor campanha do país em Copas do Mundo. Ele soma duas assistências e um gol na edição de 2026 e foi decisivo na vitória sobre a Nova Zelândia, resultado que representou o primeiro triunfo egípcio na história do torneio.

A presença do atacante contra a Austrália ainda é dúvida. Salah sofreu uma distensão no músculo isquiotibial, e o técnico Hossam Hassan indicou que só pretende utilizá-lo se a equipe médica garantir segurança total para o jogador entrar em campo.
“Salah é um jogador muito entusiasmado e está ansioso para contribuir, mas só vou arriscá-lo se tiver 100% de certeza de que ele está totalmente pronto”, afirmou Hossam Hassan. O treinador completou: “Não tenho certeza se ele vai começar a partida, mas pretendo colocá-lo em campo.”
Se atuar diante da Austrália, Salah também perseguirá um recorde individual. O maior artilheiro da história da seleção egípcia é Hossam Hassan, com 69 gols; Salah soma 68 e ultrapassa o próprio técnico se marcar duas vezes no confronto.