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VÍDEO: Vice de Renan Santos esteve em acampamento golpista em 2022; saiba quem é

Aroldo Medina, candidato a vice na chapa de Renan Santos. Foto: reprodução

Apresentado como candidato a vice-presidente na chapa de Renan Santos pelo partido Missão, militar da reserva Aroldo Medina participou de atos antidemocráticos após as eleições de 2022 e visitou o acampamento golpista montado em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, de onde partiram os manifestantes dos ataques de 8 de Janeiro.

Vídeos gravados em dezembro daquele ano, após a vitória do petista Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mostram o tenente-coronel da Polícia Militar do Rio Grande do Sul enaltecendo os “patriotas” e registrando pedidos de intervenção das Forças Armadas, direcionados inclusive ao general Marco Antônio Freire Gomes, antigo comandante do Exército.

“Este povo é ordeiro e pacífico. Pessoas de todo o Brasil, famílias, adultos, crianças e pets, isso reflete muito a índole e o caráter desse povo. O povo brasileiro está muito bem representado nesse acampamento. Aqui não há brigas. Vim aqui a trabalho e aproveitei para visitar o acampamento dos patriotas”, alega o militar em um “documentário” produzido por uma simpatizante de Bolsonaro.

Em um blog pessoal e em suas redes sociais, Medina apresenta registros de pessoas que se reuniram em frente à sede do Comando Militar do Sul, em Porto Alegre, tratando como legítimos os pedidos de revisão do processo eleitoral e de acionamento do “poder moderador” da caserna. Em algumas publicações, aborda casos de vandalismo como obra de “infiltrados” de esquerda, replicando um discurso frequente à época, e diz ter acompanhado os protestos violentos contra a prisão do cacique Tsereré na capital brasileira antes de voltar para casa.

Após os ataques de 8 de Janeiro, o vice de Renan postou uma nota em que condena os atos, mas sem entrar em detalhes sobre quem teriam sido os autores.

“O que se viu em Brasília (DF), ontem, é uma vergonha nacional. Os ataques insanos perpetrados por vândalos contra prédios públicos, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal devem ser repudiados, veementemente. A violência, a guerra, a intolerância política, o radicalismo são os piores caminhos a serem escolhidos para solução dos problemas de qualquer nação civilizada”, escreveu.

Na última quinta-feira (3), Renan Santos participou de um evento ao lado do Coronel Medina, em São Paulo, em que o apresentou como um exemplo de eleitor que abandonou a preferência por Jair Bolsonaro. O ativista do Movimento Brasil Livre (MBL) tenta desbancar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para chegar ao segundo turno contra Lula, mas ainda aparece distante nas pesquisas.

“O meu maior problema é a validação, para falar em termos meramente eleitorais, por parte das pessoas mais velhas. Dado que eu sou um candidato mais jovem e que desafia, em grande medida, os seus dois ídolos: Lula e Bolsonaro. Uma figura como o Aroldo é muito importante para mostrar que essas pessoas não precisam ficar presas nessa dicotomia”, disse Renan.

Renan apresentou o vice como um “paciente zero” da campanha: “O Aroldo já esteve no PL, no partido de Bolsonaro, e fez de maneira autônoma sua transição até o nosso grupo político. Acho que isso serve como uma espécie de exemplo, de paciente zero. Ele é o primeiro dos homens da geração dele, uma figura do universo militar, do sul do Brasil, com diferença de idade em relação a mim, e fez uma escolha consciente”.

Medina concorreu a vereador de Porto Alegre em 2024 pelo PL, mas alega que se decepcionou com Bolsonaro por “vários erros estratégicos cometidos, principalmente no que se refere à saúde pública”. Ele afirmou que teria sido “boicotado” pelo partido na eleição passada.

A filiação ao Missão ocorreu em abril deste ano, e o convite para a chapa ocorreu esta semana em Caxias do Sul (RS), quando ofereceu uma medalha ao candidato. “Oro todos os dias para o povo brasileiro olhar o Renan com respeito e ungi-lo na Presidência da República, porque eu sinto no meu coração. O Renan não é a terceira via. Para mim, ele é o único caminho a ser seguido”, declarou o militar, que chorou na entrevista.

Ao final do encontro, propôs a extinção do Ministério da Defesa: “Dê o status de ministro para os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica. Para combater o crime organizado, a interlocução do próximo presidente com os comandantes tem que ser direta”.