
Jogadores da Bélgica afirmaram que a liberação de Balogun pela Fifa serviu de combustível para a goleada por 4 a 1 sobre os EUA, nesta segunda-feira (06), pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O atacante estadunidense havia sido expulso contra a Bósnia e deveria cumprir suspensão automática, mas entrou em campo após interferência de Donald Trump, presidente dos EUA.
O meia Tielemans, um dos destaques da seleção belga, disse que o elenco se reuniu ao receber a notícia de que Balogun poderia atuar. “Não vou esconder: tivemos uma reunião quando recebemos a notícia (da liberação de Balogun), e dissemos que teríamos que responder em campo”, afirmou, em declarações reproduzidas pela AFP.
Tielemans também relacionou a irritação do grupo ao início da partida contra os EUA. “Tínhamos realmente muita raiva e muita vontade de começar bem a partida, algo que estava faltando a nós no início do torneio”, declarou o jogador da Bélgica.
O volante Raskin citou “coisas extracampo” antes do confronto e afirmou que o elenco se sentiu prejudicado pela decisão. “Havia um sentimento de injustiça no grupo e tínhamos muita vontade de responder em campo”, disse após a classificação belga.

Expulsão de Balogun e pressão sobre a Fifa
Balogun recebeu cartão vermelho na partida entre EUA e Bósnia. O árbitro brasileiro Raphael Claus tomou a decisão depois de ser chamado pelo VAR para revisar um pisão do atacante estadunidense em um adversário.
O caso mobilizou dirigentes da federação dos EUA e o presidente estadunidenseDonald Trump, que pressionaram a Fifa a rever a suspensão automática. Trump admitiu ter pedido ao presidente da entidade, Gianni Infantino, uma “revisão” da expulsão por discordar da marcação de Claus.
“Eu vi o lance. Sou uma pessoa que adora esportes, fui um bom atleta e entendo muito de esporte. Aquilo não foi falta. Nem sequer foi uma infração”, afirmou Trump. O presidente estadunidensetambém chamou a decisão do árbitro de “muito suspeita” e disse que “ninguém conseguiu acreditar” na marcação.
Infantino confirmou que falou por telefone com Trump sobre o assunto, mas afirmou que não interfere em decisões disciplinares. “Os órgãos judiciais da Fifa atuam de forma autônoma, aplicam o Código Disciplinar da Fifa e decidem os casos com base nos regulamentos aplicáveis e nos fatos específicos apresentados”, declarou o presidente da entidade.
O técnico Rudi Garcia, da Bélgica, disse que a situação envolvendo Balogun “não influenciou” o resultado e atribuiu a vitória ao plano de jogo. Ao jornal The New York Times, ele afirmou que Balogun o procurou depois da partida: “Ele veio falar comigo, e eu gostei disso. Não é culpa dele, ele não merece ser culpado por nada. Eu disse isso a ele”.
Após a expulsão de Balogun, circulou entre a comunidade de futebol dos Estados Unidos a informação falsa de que Raphael Claus teria sido investigado em um esquema de manipulação de resultados no Brasil. A versão, que não procede, também chegou a veículos tradicionais da imprensa estadunidense.