
Neymar deixou a Copa do Mundo em lágrimas após a eliminação do Brasil para a Noruega, mas a “tristeza” do camisa 10 convive com um contraste difícil para qualquer torcedor comum: o jogador está prestes a receber um iate avaliado em cerca de R$ 120 milhões, uma das maiores embarcações de lazer do país.
Segundo apuração da revista Náutica, o barco foi batizado de Enejota, referência à forma falada das iniciais NJ, de Neymar Jr. A embarcação foi construída no Brasil, convertida pela Inace SuperYachts a partir de uma embarcação de serviço e transformada em um iate explorer de luxo.
Não há registro público confiável sobre a data em que Neymar comprou ou encomendou o iate. O que se sabe, pela apuração da Náutica, é que a embarcação já saiu de Fortaleza, no Ceará, fez uma parada na Recife Marina, em Pernambuco, e estava em deslocamento pelo litoral brasileiro nesta terça-feira (7). A expectativa é que o barco seja entregue ao jogador em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.
O Enejota tem desenho de Fernando Almeida e cerca de 800 m² de área. Entre os diferenciais estão seis suítes, heliponto e quatro motores Caterpillar de 1.450 hp cada, com propulsão por hidrojato. A velocidade máxima estimada é de 20 nós, cerca de 37 km/h.
A chegada do iate ocorre logo depois de mais uma eliminação dolorosa da Seleção Brasileira. O Brasil perdeu por 2 a 1 para a Noruega nas oitavas de final, com dois gols de Erling Haaland. Neymar marcou de pênalti já nos acréscimos, mas não evitou a queda e indicou que aquela pode ter sido sua despedida definitiva da Copa.
A imagem do atacante chorando em campo foi tratada por aliados e fãs como símbolo de sofrimento e frustração. Para parte da torcida, porém, o momento também escancarou a distância entre o drama esportivo vendido ao público e a realidade material de um jogador que, mesmo em meio ao fracasso da Seleção, retorna a uma vida de luxo praticamente inimaginável para quem esperava dele uma resposta em campo.
O contraste é cruel porque Neymar foi, por mais de uma década, apresentado como a grande esperança brasileira para o hexacampeonato. A cada ciclo frustrado, o torcedor ficou com a conta emocional da derrota. O camisa 10, por sua vez, deixa mais uma Copa sem taça, mas com patrimônio, contratos e uma estrutura de vida que o colocam em outro planeta social.
O novo iate não muda a história esportiva da eliminação nem explica o fracasso do Brasil. Mas ajuda a dimensionar o incômodo que cerca Neymar no fim de sua trajetória pela Seleção: a tristeza pública do craque existe, mas ela é vivida em um padrão de luxo que nenhum torcedor que chorou pela queda brasileira jamais poderá alcançar.