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Governo decide expulsar suposto espião russo que usava identidade brasileira

O espião russo Sergey Vladimirovich Cherkasov. Foto: Divulgação

O Brasil decidiu expulsar Sergey Vladimirovich Cherkasov, suposto espião russo preso em Brasília desde 2022, e enviá-lo de volta à Rússia. A decisão saiu no Diário Oficial da União na segunda-feira (06), mas a medida só poderá ser cumprida após o fim da pena imposta no Brasil ou mediante liberação do Poder Judiciário.

Cherkasov se apresentava como o brasileiro Victor Muller Ferreira quando tentou entrar na Holanda, em abril de 2022. Ele havia sido aprovado para um estágio não remunerado no Tribunal Penal Internacional, em Haia, mas autoridades holandesas o barraram em Amsterdã e o mandaram de volta ao Brasil.

Investigações conduzidas por autoridades do Brasil, da Holanda e dos Estados Unidos apontam que Cherkasov integrava o GRU, serviço de inteligência das Forças Armadas russas. No processo brasileiro, ele admitiu ter se passado por brasileiro, mas negou ser espião.

A Justiça brasileira condenou Cherkasov por uso de documento falso, inicialmente a 15 anos de prisão. A pena depois caiu para cinco anos, e ele permanece em uma penitenciária federal em Brasília.

O caso expôs uma rede de pelo menos nove supostos espiões russos que teriam usado documentos brasileiros como parte de seus disfarces. Fontes ligadas à investigação afirmaram que Cherkasov é o único desse grupo identificado que ainda está em solo brasileiro.

Sergey Cherkasov, Artem Shmyrev e Mikhail Mikushin
Victor Müller Ferreira era o nome utilizado por Sergey Vladimirovich Cherkasov no Brasil. Foto: Reprodução

A Polícia Federal apura como esses agentes teriam obtido certidões e outros registros nacionais para criar identidades consideradas sólidas. No caso de Cherkasov, investigadores apontaram que ele teria oferecido um colar de US$ 400 a uma funcionária de cartório para obter ajuda no processo de regularização de documentos; não havia indícios de que ela soubesse de uma eventual ligação dele com espionagem.

Outros nomes ligados à investigação incluem Mikhail Mikushin, que vivia como José de Assis Giammaria e acabou preso na Noruega, e Artem Shmyrev, identificado como Gerhard Daniel Campos, que deixou o Brasil antes de uma operação da Polícia Federal.

Também apareceram suspeitas sobre disfarces como empresário do ramo de joias em Brasília e modelo. Investigadores apontam três fatores para o uso do Brasil nessa estratégia: fragilidades nos sistemas de emissão e controle de documentos, histórico de não envolvimento do país em conflitos internacionais e população miscigenada.

A certidão atribuída a Cherkasov teria sido expedida em um cartório do Rio de Janeiro em abril de 1989; a partir dela, ele obteve identidade, carteira de habilitação, passaporte e cartão do SUS. A Rússia pediu a extradição de Cherkasov em agosto de 2022, alegando que ele era procurado por tráfico de drogas, sem tratar de espionagem.

O STF autorizou a entrega, mas condicionou a saída dele ao fim de investigações da Polícia Federal; os Estados Unidos também pediram sua extradição por suposta atuação ilegal como agente de inteligência em território americano. Brasil e Uruguai ainda emitiram alertas aos 196 países da Interpol sobre cinco dos suspeitos identificados.