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O que está por trás da nova disputa pelo Estreito de Ormuz entre EUA e Irã

Popa danificada de navio graneleiro operado pela HMM em Ormuz
Veículos passam por um outdoor com uma imagem do Estreito de Ormuz e com os lábios costurados do presidente dos EUA, Donald Trump, em uma praça no centro de Teerã, Irã, sábado, 2 de maio de 2026. Foto: AP Photo/Vahid Salemi

Os Estados Unidos voltaram a bombardear alvos no Irã nesta quarta-feira (08), em uma ofensiva que ampliou a disputa pelo controle prático do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás.

As Forças Armadas dos EUA afirmaram, ao anunciar a operação, que o objetivo é reduzir a capacidade iraniana de ameaçar a liberdade de navegação em Ormuz. Washington tratou os bombardeios como resposta aos ataques contra navios comerciais registrados na terça-feira (07).

O presidente Donald Trump disse que a ofensiva é uma retaliação direta ao episódio e ameaçou ampliar os ataques caso novas embarcações sejam alvo de ações iranianas. Teerã já recebeu acusações de atacar navios comerciais que cruzavam a região em outras ocasiões.

O Estreito de Ormuz tem cerca de 50 quilômetros de largura e liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Antes da guerra, cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializado no mundo passava pela área; embora não seja proprietária da rota, a República Islâmica controla a costa norte, ilhas e posições militares que permitem monitorar praticamente todo o tráfego.

Irã
Navios cargueiros no Estreito de Ormuz. Foto: Divulgação/Reuters

Como o Irã usa Ormuz para pressionar o tráfego marítimo

O Irã não precisa fechar completamente a passagem para afetar o comércio global. A simples ameaça de ataque já eleva custos de transporte, encarece seguros marítimos e pressiona o mercado internacional de energia.

A Guarda Revolucionária mantém lanchas rápidas de ataque, baterias de mísseis costeiros, minas marítimas e drones capazes de atingir petroleiros e outras embarcações comerciais que descumprirem ordens na região.

Nos ataques desta semana, um navio-tanque que transportava gás natural liquefeito foi atingido e pegou fogo perto da costa de Omã, informou o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido. Outras duas embarcações sofreram danos, mas seguiram viagem, e ninguém ficou ferido; autoridades britânicas disseram que os três navios navegavam por uma rota próxima ao litoral omanense, alternativa ao corredor controlado pelo Irã.

A televisão estatal iraniana afirmou que um dos navios atacados havia desrespeitado orientações das autoridades do país. Em junho, Estados Unidos e Irã firmaram um acordo temporário para permitir a travessia sem taxas por 60 dias, mas Teerã insiste que pode controlar embarcações em Ormuz e, segundo a imprensa americana, autoridades iranianas discutiram pedágios de até US$ 2 milhões por navio, medida criticada por especialistas marítimos como ilegal e inviável.