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Presidente do Instituto Rio Metrópole é preso em operação sobre desvio de R$ 86 milhões

Davi Perini Vermelho, presidente do Instituto Rio Metrópole
Davi Perini Vermelho, presidente do Instituto Rio Metrópole. Foto: Reprodução

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou 11 pessoas por suspeita de desvio de R$ 86,3 milhões do Instituto Rio Metrópole, autarquia estadual responsável por projetos da região metropolitana fluminense. A operação desta quinta-feira (9) prendeu dirigentes do órgão, entre eles o presidente Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê.

Também foram presos o delegado da Polícia Civil Franquis Dias Nepomuceno, diretor de Desenvolvimento Metropolitano Integrado do instituto, e o procurador do Estado Marcelo Lopes da Silva, que comandava a Procuradoria-Geral da autarquia. A lista de presos inclui ainda Caroline Soares Barros, fiscal de contratos do IRM e presidente do Instituto BIO, e Amanda Íthala Santos da Paschoa, que a sucedeu na fiscalização.

A denúncia partiu do Gaesf, grupo do MP-RJ especializado em defesa da integridade e repressão à sonegação fiscal. Os promotores atribuem aos acusados os crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitações e contratações e lavagem de dinheiro.

Os mandados de prisão e de busca e apreensão miram endereços na capital fluminense, em São Gonçalo e em Teresópolis. Maurício Silva Knoploch dos Santos, diretor de Planejamento e Projetos do IRM e integrante da Comissão Técnica de Licitação, aparece como foragido e segue com mandado de prisão em aberto.Presidente do Instituto Rio Metrópole é preso em operação sobre desvio de R$ 86 milhões

Contratos do Instituto Rio Metrópole no centro da denúncia

A Promotoria afirma que o grupo usou contratos firmados pelo Instituto Rio Metrópole entre julho de 2022 e maio de 2026 para desviar recursos públicos. A investigação aponta Didê como chefe do núcleo de servidores públicos do esquema, responsável por autorizar contratações, assinar contratos e controlar pagamentos.

Segundo a denúncia, a autarquia repassava ao Instituto BIO valores pagos a duas empresas contratadas. Para os promotores, a entidade, cujo nome completo é Brazilian Institute of Organics, não tinha estrutura operacional compatível com os montantes recebidos; depois dos repasses, o dinheiro era sacado em espécie.

O MP-RJ aponta Maurício Knoploch como articulador do direcionamento de licitações em favor das empresas contratadas. Ele é pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL), que não aparece entre os investigados na operação; Amanda Íthala Santos da Paschoa, uma das presas, é cunhada do parlamentar.

A Polícia Civil informou que a Corregedoria instaurou processo administrativo disciplinar para apurar os fatos relacionados à prisão do delegado Franquis Nepomuceno. A corporação afirmou que “não compactua com qualquer desvio de conduta de seus integrantes” e que mantém mecanismos de controle interno e colaboração com órgãos de fiscalização.

O governo do Rio declarou que a operação decorre de auditoria feita pela Controladoria Geral do Estado e pelo Gabinete de Segurança Institucional, com relatórios encaminhados ao Ministério Público. A gestão estadual afirmou ainda que a presidência do IRM tem mandato de quatro anos e que a atual direção foi nomeada na administração anterior, com mandato até dezembro de 2026.

A Justiça impôs a outros cinco denunciados medidas cautelares como monitoramento eletrônico, comparecimento periódico em juízo e proibição de deixar o país. Os presos devem passar por audiência de custódia; se a denúncia avançar, os réus terão dez dias para apresentar defesa preliminar, e o Ministério Público poderá pedir bloqueio de bens para buscar ressarcimento dos R$ 86,3 milhões.