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Democrata usa superávit dos EUA para atacar tarifaço: “Se o Brasil retaliar, quem perde mais?”

Senador Tim Kaine durante audiência no Senado dos Estados Unidos
Tim Kaine acompanha audiência no Senado dos Estados Unidos, com participantes ao fundo. Foto: Reprodução

O senador democrata Tim Kaine criticou nesta quinta-feira (16) o tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos contra o Brasil e disse que uma eventual retaliação brasileira pode prejudicar empresas americanas que atuam no país.

Kaine fez a cobrança durante uma audiência no Senado dos Estados Unidos com Daniel Peréz, deputado indicado pelo presidente Donald Trump para assumir a embaixada americana no Brasil. O parlamentar questionou o indicado sobre quem perderia mais caso o Brasil respondesse com uma tarifa equivalente.

“Se o Brasil retaliar com uma tarifa de 25%, quem perde mais? EUA ou o Brasil?”, perguntou Kaine. Peréz respondeu que as tarifas tinham sido implementadas na noite desta quarta-feira (15) e afirmou que precisaria se inteirar melhor sobre o tema antes de opinar.

O senador rebateu a resposta ao lembrar que os Estados Unidos mantêm superávit comercial com o Brasil. “Isso significa que vendemos mais ao Brasil do que compramos dele”, disse Kaine durante a sabatina.

Kaine argumentou que uma disputa tarifária entre os dois países não teria efeitos simétricos. “Se impusermos uma tarifa de 25% sobre eles e, em seguida, eles impuserem uma tarifa equivalente sobre nós, não é a mesma coisa. Não veremos apenas a inflação aumentar”, afirmou.

Na avaliação do senador, uma reação do governo brasileiro contra produtos manufaturados dos Estados Unidos vendidos no mercado brasileiro atingiria diretamente companhias americanas. Para Kaine, a medida “prejudicará as próprias empresas americanas que fazem negócios no Brasil”.

Depois da sabatina, Daniel Peréz conversou com jornalistas e reconheceu o saldo favorável dos Estados Unidos na relação comercial com o Brasil. “Nós realmente temos um superávit comercial com o Brasil. As tarifas de 25% foram implementadas ontem pelo USTR. Eu ainda não fui informado sobre os detalhes dessa decisão”, disse.

Peréz afirmou que ainda não recebeu o briefing sobre o caso e indicou que pretende se aprofundar no assunto nas próximas semanas. Segundo ele, vai “aprender mais sobre o assunto e, no momento apropriado, terei as conversas certas com as pessoas adequadas”.