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Milei se apropria de fala de Messi sobre crise para criticar seus adversários

Messi Argentina Vargentina
Finalização de Messi é bloqueada pelo goleiro suíço Gregor Kobel. Foto: David Ramos/Getty Images

Javier Milei se apropriou de uma declaração de Lionel Messi sobre as dificuldades econômicas enfrentadas pelos argentinos para atacar o kirchnerismo. O capitão da seleção afirmou que parte da população está desempregada e não consegue chegar ao fim do mês, diagnóstico reconhecido pelo governo, que atribuiu a situação às gestões anteriores de Néstor e Cristina Kirchner.

Messi fez o comentário após a vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra, que classificou a Argentina para a final da Copa do Mundo contra a Espanha. Ao destacar a importância da campanha da seleção, o atacante afirmou que o futebol permite aos argentinos esquecer, ainda que temporariamente, os problemas cotidianos.

“Sabemos que as Copas do Mundo são especiais para nós e nos esquecemos de todas as coisas ruins pelas quais temos que passar, que existem pessoas que estão tendo dificuldades, que não têm emprego, que não conseguem chegar ao fim do mês ou que estão constantemente lutando”, declarou Messi ao TyC Sports.

O jogador disse que esperava oferecer algum alento à população com a classificação para a segunda final consecutiva. “Conseguimos algo impressionante”, afirmou. Messi também ressaltou que a equipe voltou a provar dentro de campo que suas conquistas não foram obtidas “de graça”.

A declaração repercutiu entre críticos da política econômica de Milei. A Casa Rosada reagiu por meio da Oficina de Resposta Oficial (OPRA), que classificou a avaliação de Messi como “totalmente verdadeira”. O presidente republicou o comunicado em sua conta no X e usou a fala do jogador para responsabilizar seus adversários políticos.

“Duas décadas de declínio kirchnerista não podem ser apagadas em 24 meses”, afirmou o órgão. O governo sustentou que a Argentina está em situação melhor do que há dois anos devido às reformas econômicas promovidas por Milei, embora tenha reconhecido que “ainda há um longo caminho a percorrer”.

A OPRA foi criada pelo governo em fevereiro para responder a reportagens, declarações de jornalistas e críticas dirigidas à administração Milei. O órgão é comandado por Juan Pablo Carreira, conhecido nas redes como Juan Doe e próximo ao assessor presidencial Santiago Caputo.