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Após três dias de caos, metroviários falam em “descaso” e defendem reestatização na CPTM

CPTM
A estação Brás, que atende as linhas 11 – Coral e 12 – Safira, além da linha 3 – Vermelha do Metrô. Foto: Gabriele Faustino/TV Globo

O Sindicato dos Metroviários e Metroviárias de São Paulo classificou como uma “tragédia anunciada” as falhas registrada desde que a Trivia Trens assumiu as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade.  Em entrevista ao DCM, Arthur Andrade, diretor de organização da entidade, apontou “despreparo e descaso total” da concessionária e defendeu o cancelamento do contrato e a reestatização dos ramais.

A transferência ocorreu na terça-feira (21). Nos três primeiros dias sob o comando da empresa, passageiros enfrentaram lentidão, intervalos maiores, plataformas superlotadas, restrições de circulação e um incêndio em uma composição da Linha 12-Safira. A crise levou a Artesp a determinar que a CPTM reassuma a operação das três linhas por 90 dias. Para Andrade, os problemas não podem ser tratados como episódios isolados da transição. Ele relaciona as falhas à política de redução dos investimentos e da capacidade operacional da CPTM durante o processo de concessão.

“Desde o início do mandato do governador Tarcísio, o que vimos foi uma precarização sistemática da manutenção preventiva das linhas [10, 11, 12 e 13] da CPTM. Isso passa desde a falta de reposição de peças e equipamentos, tanto de via quanto dos próprios trens, até a falta efetiva de trabalhadores”, afirmou.

Segundo o dirigente, a velocidade com que os problemas apareceram torna ainda mais grave a situação:“Trata-se de uma tragédia anunciada, mas de fato impressiona a gravidade das falhas em apenas três dias, o que demonstra que houve um despreparo e um descaso total em gerenciar problemas operacionais a partir do momento em que a Trivia assumiu.”

A concessionária atribuiu a paralisação desta quinta-feira (23) a um possível curto-circuito, que teria provocado o incêndio e o desligamento automático de subestações. Andrade considera a explicação insuficiente porque os transtornos começaram antes do fogo e envolveram diferentes componentes do sistema. “Vimos problemas de diferentes naturezas desde o dia 21, quando a Trivia assumiu: superlotação de plataformas, principalmente na estação Brás, lentidão na movimentação dos trens, maiores intervalos em horários de pico, restrições na circulação e inutilização de vias”, enumerou.

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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Foto: Edilson Dantas/Agência O Globo

O governador apresenta as concessões como instrumento para ampliar investimentos e melhorar a qualidade do transporte. Para Andrade, os acontecimentos desta semana colocam esse discurso sob pressão e ampliam a rejeição popular ao programa de privatizações.

Pesquisa Datafolha divulgada em julho mostrou que 53% dos entrevistados desaprovam a privatização das linhas da CPTM, enquanto 39% apoiam a medida. Em 2023, as parcelas eram de 45% e 49%, respectivamente.

“Tarcísio está vendo isso e tem escondido sua defesa incondicional das privatizações por motivos eleitoreiros”, afirmou o diretor. “Ele está fazendo um cálculo eleitoral de que é melhor não agitar esse tema neste momento, mas o compromisso com esses grupos econômicos que dominam as concessões continua.”

O sindicato também considera insuficiente o retorno da CPTM por apenas 90 dias. Andrade avalia que o governo tenta estabilizar o serviço durante o período eleitoral sem rever definitivamente a entrega dos ramais à Trivia.

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Nota do Sindicato dos Metroviários e Metroviárias de São Paulo, sobre a tragédia em trem da Trivia. Foto: Divulgação/Sindicato dos Metroviários e Metroviárias de São Paulo

“O que parece é que o governo do estado está querendo empurrar o problema para depois das eleições, retomando a operação para a empresa pública por um curto período de tempo”, disse. “Esses três dias de operação pela Trivia trouxeram episódios muito graves, que comprometem diretamente a segurança e a integridade dos passageiros.”

A entidade pede o cancelamento imediato da concessão das linhas 11, 12 e 13, a realização de concursos públicos, a recomposição do quadro de funcionários e novos investimentos na CPTM e no Metrô. Também defende que trabalhadores atingidos por concessões sejam absorvidos por outras empresas públicas, com preservação de cargos, escalas e salários.

“Nós, metroviários, defendemos a reestatização das linhas de trens, pois é a única forma de garantir que a lógica do lucro não prevaleça sobre a prestação de um serviço essencial”, afirmou Andrade. “Nosso horizonte é que a CPTM retome a operação de todas as linhas e que o transporte público siga operando pela lógica do interesse público.”