
Flávio Bolsonaro alimentou o atrito com Michelle Bolsonaro ao não procurar a madrasta depois que Jair Bolsonaro o lançou como candidato em dezembro, segundo relato de um político próximo à família. A ausência de conversa teria sido um dos motivos da relação descrita nos bastidores como uma disputa ao estilo “Tom & Jerry”. Com informações de Lauro Jardim, para O Globo.
O aliado resumiu a origem da crise interna: “O Bolsonaro lançou o filho como candidato em dezembro e, nas visitas que o Flávio fazia ao pai a partir de então, ele nunca tocou no assunto com a Michelle”.
O mesmo interlocutor afirmou que o senador não buscou apoio político nem abriu uma conversa direta com a ex-primeira-dama. “Nunca pediu apoio, nunca a chamou para uma conversa. Simplesmente, a ignorava”, disse.
Valdemar Costa Neto, presidente do PL, tentou empurrar Flávio para uma conversa com Michelle. “O Valdemar insistia com o Flávio: ‘Fala com a Michelle’. Ele dizia que ia falar, mas nunca falou”, relatou o político.
Pedido de desculpas abriu trégua entre madrasta e enteado
A paz entre Michelle e Flávio foi instalada na semana passada, depois que o senador pediu desculpas à madrasta. Ela aceitou o gesto do enteado, encerrando ao menos temporariamente a exposição do conflito familiar.
A reaproximação foi descrita como um “jogo ensaiado” no entorno bolsonarista, sem garantia de duração. O acordo ocorre depois de semanas em que a falta de diálogo entre os dois virou assunto recorrente entre aliados.
A cobrança de Valdemar mostra que a cúpula do PL tratava a conversa com Michelle como etapa necessária para reduzir ruídos na articulação de Flávio. Mesmo com a insistência do dirigente, o senador adiou o contato até o pedido de desculpas.
A movimentação acontece enquanto aliados discutem a composição eleitoral de Flávio, que pode ter de aceitar como vice uma opção tratada antes como seu plano C. Em outra frente, o senador também entrou no noticiário político por ataques às urnas comparados aos de Jair Bolsonaro.