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Políticos argentinos condenam ataques de Milei a Lula e Moraes: “Estupidez”

Milei e Flávio Bolsonaro na convenção do PL em São Paulo

O endurecimento do discurso de Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, durante um evento do PL em São Paulo, provocou uma onda de críticas da oposição argentina. Lideranças ligadas ao peronismo acusaram o presidente de colocar em risco a relação estratégica entre Argentina e Brasil e afirmaram que ele não representa o sentimento do povo argentino.

Entre os primeiros a reagir esteve o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof. Ele entrou em contato com o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, para transmitir o recado que “Milei não representa o sentimento do povo argentino”.

Também se manifestou o Partido Justicialista (PJ), presidido por Cristina Kirchner, que classificou como “inadmissíveis” os ataques de Milei ao presidente brasileiro e às autoridades do país.

Em nota publicada nas redes sociais, o partido afirmou:

“Os insultos de Milei contra Lula e as autoridades do Brasil são uma vergonha para a história da integração regional e inadmissíveis na boca de um presidente da Nação. O Brasil não é apenas um povo irmão; é o principal parceiro comercial do nosso país e um ator estratégico para o nosso desenvolvimento.”

A legenda ainda afirmou que a política externa do atual governo vive “a página mais negra das relações bilaterais com o povo irmão brasileiro”.

Grupo de Sergio Massa também critica Milei

O Frente Renovador, partido liderado por Sergio Massa, também condenou as declarações de Milei e alertou para os impactos econômicos do conflito diplomático.

Segundo a legenda, “da relação com o Brasil dependem milhares de pequenas e médias empresas, indústrias e empregos argentinos”, ressaltando que Brasília continua sendo o principal parceiro comercial da Argentina.

Massa comentou que ficou satisfeito ao ver integrantes de sua equipe compreenderem a importância da integração produtiva entre os dois países.

O deputado Guillermo Michel afirmou que, além de ser um erro político interferir nas eleições brasileiras, atacar Lula é uma “grande estupidez”, lembrando que o Brasil responde por cerca de 14% das exportações argentinas.

Já a deputada Sabrina Selva destacou que milhares de empregos dependem da relação bilateral, enquanto o presidente do Frente Renovador, Diego Giuliano, criticou Milei por utilizar viagens internacionais para fazer campanha política em vez de defender os interesses nacionais.

Mais críticas ao presidente argentino

Diversos parlamentares e integrantes do governo da província de Buenos Aires também se uniram às críticas.

A deputada Jimena López afirmou que o futuro da Argentina depende da integração regional. O deputado Ramiro Gutiérrez disse que líderes verdadeiros aproximam os povos por meio do diálogo e do respeito.

O deputado Jorge “Koky” Araujo declarou que Brasil e Argentina são vizinhos, amigos e aliados estratégicos e acusou Milei de prejudicar o comércio bilateral por motivos pessoais.

O deputado provincial Alexis Guerrera afirmou que cada ataque de Milei não prejudica Lula, mas sim “a indústria, o comércio e os trabalhadores argentinos que dependem dessa relação”.

Também aderiram às críticas o ministro dos Transportes da Província de Buenos Aires, Martín Marinucci, a deputada Gabriela Lizana e o ex-ministro da Educação Nicolás Trotta, que definiu Lula como “um líder fundamental da América Latina e presidente do principal parceiro estratégico da Argentina”.

As manifestações refletem o crescente desconforto da oposição com a crise diplomática aberta por Milei após seus ataques ao presidente brasileiro e ao ministro Alexandre de Moraes, em um episódio que já provoca repercussões políticas e econômicas dos dois lados da fronteira.