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Marroquinos em Ceuta já estão na Europa? Entenda a área espanhola no continente

Migrantes entram em Ceuta após travessia a partir do Marrocos
Migrantes entram em Ceuta após a travessia marítima a partir do Marrocos. Foto: Reprodução

Mais de 49 mil imigrantes marroquinos entraram em Ceuta na quinta-feira (30), segundo o Ministério do Interior da Espanha. Eles chegaram a território espanhol sem sair da África: Ceuta fica no norte do continente, embora pertença à Espanha e integre a União Europeia.

Vídeos da travessia mostram grupos de pessoas nadando até a cidade e alcançando a faixa costeira. A maioria é formada por jovens marroquinos, mas há também famílias e crianças entre os que cruzaram a fronteira marítima.

Ceuta é um exclave espanhol, ou seja, um território separado do restante da Espanha e sem ligação terrestre com a Europa. A cidade faz fronteira com o Marrocos e ocupa 18,5 quilômetros quadrados, área menor que a de Fernando de Noronha.

Mapa do Estreito de Gibraltar. Foto: reprodução

Apesar da localização africana, a entrada em Ceuta representa a chegada a um território da União Europeia. Isso não assegura, porém, a permanência regular nem a livre circulação pelo continente, pois os recém-chegados precisam passar pelos procedimentos migratórios das autoridades espanholas e europeias.

Ceuta e Melilha são territórios disputados pelo Marrocos

A Espanha controla Ceuta desde 1668 e Melilha, outro enclave espanhol no norte da África, desde 1497. As duas cidades permaneceram sob administração de Madri após a independência do Marrocos, em 1956.

O governo marroquino reivindica a soberania sobre Ceuta e Melilha e trata os territórios como áreas ocupadas pelo colonialismo europeu. A Espanha sustenta que as cidades fazem parte de seu território há séculos e têm o mesmo status administrativo de outras cidades do país.

Ceuta tem cerca de 84 mil habitantes, com população formada entre 40% e 50% por muçulmanos de origem marroquina. A cidade também abriga comunidades cristãs, judaicas e hindus e, ao lado de Melilha, tornou-se uma das principais rotas de acesso à União Europeia a partir do norte africano.

A Itália suspendeu temporariamente a livre circulação com a Espanha após a chegada em massa a Ceuta. O Ministério do Interior italiano determinou controles e restrições para viajantes em rotas aéreas e marítimas entre os dois países, com base na previsão do Espaço Schengen para casos de ameaça à ordem pública ou à segurança interna.