Diário do Centro do Mundo | O que interessa e nada mais

Logo DCM
Logo DCM
Apoie o DCM

Vereadora bolsonarista de Curitiba manda colega petista “voltar para o Ceará”

Vereadora Vanda de Assis
A vereadora bolsonarista Tathiana Guzella (PL), de Curitiba. Reprodução

A vereadora Vanda de Assis (PT) afirmou que tomará medidas judiciais contra a vereadora bolsonarista Tathiana Guzella (PL), após ouvir que deveria “voltar para o Ceará” durante uma sessão da Câmara Municipal de Curitiba, nesta quarta-feira (5). A petista classificou a fala como xenofóbica e disse que também recorrerá às instâncias internas do Legislativo.

O embate aconteceu enquanto os vereadores discutiam a criação de um Cadastro Único para Pessoas em Situação de Rua na capital paranaense. Vanda concedeu um aparte a Guzella, que questionou por que a colega, nascida em Campos Sales, no Ceará, não retornava ao estado por elogiar gestões do PT e partidos aliados.

“Se a senhora gosta tanto de elogiar a atuação do PT, dos partidos correlatos ao PT, por que a senhora não volta para o Ceará? Por que a senhora veio para cá? A senhora nasceu lá, mas veio encher o saco aqui”, disse Guzella no plenário.

Vanda interrompeu a intervenção e afirmou que o tempo destinado ao aparte havia terminado. “Isso é xenofobia. A vereadora Tathiana Guzella foi xenofóbica”, respondeu a petista, acrescentando que a prática de mandar alguém voltar à sua cidade de origem configura preconceito e que a adversária seria responsabilizada.

Depois da sessão, Vanda publicou uma nota nas redes sociais para confirmar que levará o caso à Justiça e aos órgãos internos da Câmara Municipal. Ela afirmou que não tratará o episódio como uma divergência política comum e declarou ter orgulho de sua origem nordestina.

“Quando faltam argumentos para enfrentar o debate, o preconceito não pode ocupar o lugar da política. Sou nordestina com muito orgulho. Não vou me calar diante desse ataque e não vou permitir que a xenofobia seja naturalizada, especialmente dentro da Câmara Municipal, a casa do povo”, escreveu.

A vereadora também lamentou que a discussão tenha ocorrido em uma sessão pública, transmitida ao vivo. Para ela, o caso expõe uma forma de discriminação que afeta migrantes que vivem longe de seus locais de nascimento e não dispõem da mesma visibilidade de uma parlamentar.

O projeto que motivou o debate prevê um cadastro voluntário para reunir informações e facilitar o encaminhamento de pessoas em situação de rua a serviços públicos essenciais, sob regras da Lei Geral de Proteção de Dados. Tathiana Guzella não se manifestou após o episódio.