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MPF processa Facebook e Instagram por posts que promovem garimpo ilegal

Amazônia garimpo
Garimpo ilegal em área de reserva ambiental na Amazônia. Foto: Adriano Machado/Reuters

O Ministério Público Federal em Roraima ajuizou uma ação civil pública contra a Facebook Serviços Online do Brasil Ltda. para exigir medidas preventivas contra conteúdos que promovam ou incentivem o garimpo ilegal. O processo abrange as plataformas Facebook e Instagram.

Segundo o MPF, as redes sociais são utilizadas repetidamente para estimular a exploração ilegal de ouro e de outros recursos minerais na Amazônia. A instituição cita danos ao meio ambiente, aos povos indígenas e às populações expostas ao mercúrio.

A investigação começou após a identificação de perfis e grupos públicos que divulgavam ou incentivavam o garimpo em Roraima. De acordo com o órgão, não há empreendimentos de lavra garimpeira legalmente autorizados no estado.

O Facebook removeu conteúdos indicados pelo MPF depois de receber notificações. Novas buscas, porém, encontraram publicações semelhantes, algumas delas nos mesmos perfis que já haviam sido denunciados.

O procurador André Luiz Porreca afirmou que o ciclo se repete há mais de dois anos. Segundo ele, a empresa exclui as postagens apontadas, mas não estabelece mecanismos preventivos considerados eficazes pelo Ministério Público.

Antes de recorrer à Justiça, o MPF propôs um termo de ajustamento de conduta com uso de inteligência artificial, proibição expressa de propaganda do garimpo e punição de usuários reincidentes. As partes não chegaram a um acordo.

Na ação, o órgão pede que as plataformas exibam avisos preventivos em até 60 dias e apresentem, em até 90 dias, um plano para melhorar a detecção das postagens. A proposta inclui monitoramento de palavras-chave e reconhecimento de imagens de dragas, balsas e pistas clandestinas.

O MPF também solicita a remoção de anúncios pagos, advertência e bloqueio de reincidentes, preservação de registros e entrega de dados mediante ordem judicial. Em caso de condenação e descumprimento, o órgão pede multa diária de R$ 10 mil por obrigação não atendida. Procurada pelo g1, a empresa não respondeu.