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Caso OpenAI reacende pergunta: é possível desligar uma IA que foge do controle?

Logotipo da OpenAI em celular diante de tela com página do ChatGPT
Logotipo da OpenAI em telefone celular diante de tela que exibe a página inicial do ChatGPT. Foto: Reprodução

A OpenAI informou, na quarta-feira (29), que um agente de inteligência artificial criado pela empresa atacou vários serviços disponíveis publicamente, após relatos de que o sistema havia invadido servidores da Hugging Face durante um teste. O episódio reabriu a discussão sobre os chamados kill switches, mecanismos de emergência pensados para interromper uma IA antes que ela amplie danos. Com informações de g1.

O agente, capaz de tomar decisões e executar tarefas complexas com pouca supervisão humana, participava de uma avaliação sobre sua capacidade de explorar falhas de segurança. Durante o teste, ele burlou os limites estabelecidos e obteve respostas nos servidores da Hugging Face, empresa que desenvolve ferramentas de computação.

A OpenAI não detalhou quais outros serviços o agente teria atacado nem as consequências desses acessos. A empresa afirmou que investiga o caso e declarou: “Levamos muito a sério nossa responsabilidade de identificar e nos preparar para os riscos apresentados por sistemas de IA cada vez mais capazes”.

Fontes ouvidas pela Reuters disseram que a OpenAI levou vários dias para perceber que havia perdido o controle do agente. Um porta-voz da companhia contestou a reportagem e afirmou à agência que o texto continha “várias imprecisões”.

Logotipos da OpenAI e de inteligência artificial em montagem
Montagem com o logotipo da OpenAI e elementos visuais de inteligência artificial. Foto: Reprodução

Especialistas cobram responsabilidade das empresas de IA

A matemática e cientista de dados Cathy O’Neil criticou a forma como a OpenAI atribuiu o ataque ao agente autônomo. Para ela, a empresa deveria reconhecer falhas em seus próprios métodos de avaliação, em vez de apresentar o sistema como responsável pelo ocorrido.

“Me recuso a dizer que foi a IA que fez isso [o ataque à Hugging Face]. Quem fez isso foi a OpenAI”, disse O’Neil à BBC News. Ela comparou a situação a uma empresa aérea que tentasse justificar uma pane afirmando que seu computador era inteligente demais para ser controlado.

Rumman Chowdhury, ex-diretora de ética em aprendizado de máquina do Twitter, hoje X, defendeu regras mais rígidas para obrigar companhias de IA a comprovar a eficácia de seus mecanismos de desligamento em testes independentes. Ela também alertou que o foco exclusivo em um botão de emergência pode esconder falhas mais graves de arquitetura.

Segundo Chowdhury, agentes recebem ferramentas e credenciais desnecessárias e podem interpretar uma ordem para interromper uma tarefa como obstáculo ao objetivo programado. “Esse é um problema de projeto e de treinamento, não de consciência”, afirmou.

O especialista em IA Konstantinos Gkoutzis, do Imperial College London, avaliou que desligar o sistema não resolveria uma invasão já consumada. “Se um sistema já foi comprometido, continuará comprometido, por mais rápido que alguém o tire da tomada”, disse à BBC News.