
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, cobrou que o presidente argentino Javier Milei interrompa “imediatamente” os ataques contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista ao jornal argentino Clarín, o chanceler condicionou a melhora do vínculo bilateral ao fim das agressões. Com informações Metrópoles.
“A Argentina deve valorizar sua relação com o Brasil da mesma forma que o Brasil valoriza a sua com a Argentina”, disse Vieira, que estava na Colômbia para a posse do novo presidente do país, Abelardo de la Espriella. “Precisamos ser muito claros quanto a isso, pelo bem desta relação: esse tipo de agressão deve cessar imediatamente para que possamos trabalhar no vínculo bilateral, que é tão importante.”
A crise diplomática começou em 25 de julho, quando Milei participou da convenção do Partido Liberal (PL) que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. No evento, em São Paulo, o argentino chamou Lula de “ladrão” e “presidiário” e criticou políticas do governo brasileiro.
Após as declarações, o governo brasileiro chamou o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, para consultas. Dias depois, Milei voltou a atacar Lula e afirmou que o presidente brasileiro teria financiado uma campanha bilionária em favor de Sergio Massa, seu adversário na eleição argentina de 2023.

Retorno do embaixador depende de gesto de Milei
O Brasil retirou Bitelli do posto em Buenos Aires e rebaixou as relações diplomáticas com o país vizinho. Vieira afirmou que a retomada da presença do embaixador brasileiro depende de uma mudança de postura do presidente argentino.
“Quando cessarem as condições que levaram à sua saída [os ataques de Milei contra Lula], tal como aconteceu com o embaixador Raimondi [representante argentino no Brasil] (…) é necessário um gesto: pôr fim à agressão”, afirmou o chanceler.
Vieira citou o embaixador argentino no Brasil, Raimondi, como um diplomata que conhece há 30 anos e classificou-o como “um diplomata distinto”. A comparação tratou da possibilidade de normalização das representações diplomáticas entre os dois países.
Para o ministro, encerrar os ataques públicos seria suficiente para abrir caminho ao retorno de Julio Bitelli a Buenos Aires. “É um gesto simples, dada a importância das relações bilaterais”, declarou.