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Vendas de livro explodem após Tamara Klink pedir para não comprarem mais

Tamara Klink
Tamara Klink, navegadora e autora de “Bom Dia, Inverno”. Foto: AFP

O livro “Bom Dia, Inverno”, da navegadora e escritora Tamara Klink, vendeu 2.061 exemplares em quatro dias após a autora publicar um vídeo no qual pedia ao público que não comprasse novos exemplares da obra. O total ficou quase duas vezes acima do esperado para o período, segundo levantamento da BookInfo.

O apelo de Klink tinha como argumento a preocupação ambiental. Ela sugeriu que leitores recorressem a bibliotecas, empréstimos e doações de cópias que já estavam em circulação, em vez de comprar o livro.

“Já tem muitos livros ‘Bom Dia, Inverno’ circulando pelo Brasil todo e, se vocês puderem, se tiverem acesso a uma biblioteca, se tem pessoas da família, colegas, pessoas do trabalho, façam esses livros circularem”, disse a autora no vídeo, posteriormente apagado.

As livrarias venderam 964 exemplares somente no último sábado, quando influenciadores passaram a comentar o pronunciamento. No sábado anterior, o volume havia ficado em torno de 300 unidades.

Vendas cresceram em 17 estados

O diretor da BookInfo, Eduardo Cunha, afirmou que o crescimento alcançou 17 estados. As vendas após a repercussão atingiram o maior patamar desde o lançamento, há 74 dias, mesmo com o livro já presente havia semanas em listas de mais vendidos de não ficção.

O balanço ainda pode crescer porque a Amazon contabiliza as vendas apenas depois da entrega dos pacotes aos compradores. Como a varejista é a maior do setor livreiro, parte das compras motivadas pelo vídeo pode entrar nos números nos dias seguintes.

Em “Bom Dia, Inverno”, Klink relata os oito meses que passou no mar congelado do Ártico, na região da Groenlândia, entre 2023 e 2024. Ao defender a circulação dos exemplares, ela disse que “é muito triste na vida de um livro acabar em uma biblioteca só e só ser lido uma vez”.

No domingo, diante da repercussão, a autora publicou uma retratação e reconheceu que não considerou os impactos de sua recomendação para o mercado editorial. “Errei em não ver outros pontos de vista. Precisamos da leitura. Precisamos de autores. Pequenos, grandes e independentes”, escreveu. A Companhia das Letras informou que não comentaria o episódio.