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Venezuela liberta 131 presos políticos por ordem de Rubio

Ex-prisioneira política Angela Vasquez durante reencontro com parentes após sua libertação da prisão El Rodeo I em Guatire, na Venezuela — Foto: Reprodução

O regime interino de Delcy Rodríguez anunciou nesta sexta-feira (14) a adoção de “medidas alternativas à prisão” para 131 pessoas detidas por acusações relacionadas à oposição política na Venezuela.

Segundo comunicado divulgado em Caracas, a medida foi implementada por meio do chamado Programa para a Paz e a Convivência Democrática, que determinou ao Judiciário a revisão dos processos de pessoas acusadas de supostos ataques contra as instituições democráticas, a paz e o desenvolvimento do país.

A decisão ocorreu em meio às exigências apresentadas por Washington para a “retomada da normalidade institucional” na Venezuela.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, avaliou positivamente o anúncio e afirmou que a libertação dos presos representava um avanço no processo de reconciliação do país.

“Recentemente, mais de 130 presos políticos foram libertados na Venezuela, um passo crucial para o processo de reconciliação da nação”, escreveu Rubio na rede X.

O secretário acrescentou que 1.046 venezuelanos haviam sido libertados desde 3 de janeiro e afirmou que os Estados Unidos continuavam acompanhando de perto o processo de negociações presenciais entre representantes venezuelanos e as autoridades interinas.

A captura de Nicolás Maduro se transformou em um dos principais símbolos da política externa do segundo governo de Donald Trump. Desde então, Rubio passou a ocupar posição central na estratégia americana para a Venezuela, participando das discussões sobre a transição política e sobre o futuro econômico do país.

Em janeiro, durante sua apresentação ao Senado sobre a estratégia de Washington para a Venezuela, Rubio defendeu uma transição política acompanhada de perto pelos Estados Unidos e a manutenção de forte influência americana sobre a economia venezuelana.

Esse contexto ajuda a dimensionar o peso das críticas de Rubio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação a Caracas. Enquanto o governo brasileiro tradicionalmente defende soluções negociadas para crises políticas na região e rejeita intervenções externas, Washington, sob Trump, adotou uma postura mais agressiva e intervencionista.

A estratégia americana para a região passou a combinar pressão comercial, sanções econômicas, articulação diplomática e uma defesa mais explícita da primazia dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental.

Trata-se de uma releitura da Doutrina Monroe, formulada no século XIX para estabelecer a oposição dos Estados Unidos à intervenção de potências europeias nas Américas.