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Fundador do PT diz que Lula carrega a legenda e cobra renovação: “Organização envelhecida”

Djalma Bom, ex-metalúrgico e fundador do PT
Djalma Bom, ex-metalúrgico que participou da fundação do PT. Foto: Wilton Junior/ Estadão

O ex-metalúrgico Djalma Bom, um dos fundadores do PT e amigo de Luiz Inácio Lula da Silva desde os anos 1970, afirmou que o presidente tem contribuído mais para o partido do que recebe da sigla. “Lula tem ajudado muito mais o PT do que o PT tem ajudado Lula”, disse em entrevista ao Estadão.

Para Djalma, de 87 anos, a avaliação decorre da “competência e liderança” de Lula. Ele relatou ouvir questionamentos sobre a atuação partidária em São Bernardo do Campo e afirmou que também se pergunta: “O que estou fazendo para o PT?”.

O ex-sindicalista defendeu uma mudança na forma de organização do partido. “O PT tem uma organização envelhecida”, afirmou, ao criticar o que chamou de estrutura verticalizada e de uma rotina interna marcada por reuniões sucessivas.

Djalma propôs que o PT se aproxime de universidades, conselhos de saúde e movimentos sociais. Na avaliação dele, a legenda precisa estimular sua militância a participar dessas organizações e incorporar suas demandas à estrutura partidária.

Djalma Bom cobra renovação e aponta Haddad como sucessor

Lula e Djalma Bom. Foto: Reprodução/CSBH-FPA

O fundador do PT também avaliou que a esquerda enfrenta uma “grande deficiência de intelectuais”. Ele citou Paulo Freire, Apolônio de Carvalho e Antonio Candido como referências de gerações anteriores e criticou o carreirismo na política partidária.

Questionado sobre uma eventual sucessão de Lula, Djalma apontou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como o nome com melhores condições. “Pelo andar da carruagem, acho que o cara que tem condições de substituir Lula é Fernando Haddad”, declarou.

Ele atribuiu as derrotas eleitorais anteriores de Haddad à conjuntura e disse que o ministro demonstrou “capacidade, competência e liderança”. Djalma acrescentou que Haddad é o nome que Lula aposta e afirmou que o presidente “não gosta de gente incompetente e nem gente que não gosta de trabalhar”.

Djalma conheceu Lula em 1974 e entrou na diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo quando ele disputou a presidência da entidade, em 1975. Os dois participaram das greves do ABC em 1979, ajudaram a fundar o PT e ficaram presos por 31 dias em 1980, durante a ditadura militar.