
A Confederação Geral do Trabalho (CGT), as duas centrais CTA e movimentos sociais farão na quinta (20) uma marcha até o Ministério da Economia da Argentina para cobrar respostas do governo de Javier Milei ao endividamento das famílias. O protesto reunirá também grupos auto-organizados, entre eles o Endeudadxs Organizadxs.
Dados do Banco Central da República Argentina apontam que 5,8 milhões de pessoas têm empréstimos em atraso ou não pagos no sistema financeiro formal. O número inclui dívidas de cartões de crédito, carteiras digitais e empréstimos pessoais, sem incluir quem recorreu a credores informais.
Questionado sobre a situação, Milei afirmou que as dívidas “são um problema entre partes privadas”, sinalizando que seu governo não pretende adotar medidas. O ministro da Economia, Luis Caputo, atribuiu os débitos a um erro de cálculo dos tomadores de crédito: “As pessoas se endividaram em taxas muito altas, achando que a inflação iria liquefazer as dívidas e isso não aconteceu”.
No chamado para o ato, a CGT afirmou que famílias argentinas contraem dívidas para pagar aluguel, comprar alimentos e cobrir contas de eletricidade, gás e outras despesas domésticas. A central sindical acusa a gestão Milei de elevar o custo de vida enquanto a renda se distancia das necessidades básicas.

Protesto ocorrerá ao lado da Casa Rosada
A marcha dos endividados começará às 14h no cruzamento de Paseo Colón e Independencia. Os organizadores preveem chegada por volta das 14h30 ao Ministério da Economia, na rua Hipólito Yrigoyen 250, ao lado da Casa Rosada.
O deputado Hugo Yasky, da CTA, criticou a ausência de regras para juros e penalidades cobrados por fintechs e financeiras. “O mais grave de todos acontece discretamente: os interesses e penalidades das fintechs e das empresas financeiras locais não têm nenhum tipo de regulamentação”, disse.
A mobilização integra uma sequência de protestos iniciada em 22 de julho, quando sindicatos e movimentos sociais acompanharam aposentados em uma marcha. Em 6 de agosto, houve um ato em frente ao Congresso, e no dia seguinte entidades sindicais participaram da marcha por Pão, Terra e Trabalho, em San Cayetano.
Na quinta, pequenas e médias empresas se concentrarão a partir das 9h em frente à Casa Rosada. A Associação dos Empresários Nacionais afirma que 26 mil PMEs fecharam durante a administração Milei e defende que o Congresso aprove uma Lei de Emergência para o setor.