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Em depoimento, motorista de Haddad contradiz Tarcísio e confirma abordagem

Viatura da PM se aproximando do carro de Fernando Haddad. Reprodução

O motorista de Fernando Haddad (PT), Alessandro Caseri, reafirmou à Polícia Civil nesta segunda-feira (17) que foi abordado por policiais militares na noite de 11 de agosto, quando trabalhava para o candidato ao governo de São Paulo. O depoimento contraria a versão apresentada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e pela Secretaria da Segurança Pública, que disseram não ter ocorrido abordagem.

Segundo o Painel, da Folha de S.Paulo, Caseri descreveu três episódios envolvendo policiais. No primeiro, ainda com Haddad dentro do carro, afirmou que uma equipe passou pelo veículo e direcionou um “canhão de luz” para os passageiros.

Depois de deixar Haddad em casa, o motorista disse que uma viatura se aproximou na avenida Moreira Guimarães, perto do Detran, emparelhou com seu carro e que os policiais ficaram olhando para o veículo antes de seguir. Mais tarde, desconfiado da movimentação, Caseri parou nas proximidades de um hotel na rua Joinville, na Vila Mariana, onde havia câmeras de segurança.

Nesse terceiro episódio, uma viatura teria passado pelo carro e um dos policiais feito um movimento com os lábios que Caseri interpretou como “olha o carro”. Segundo ele, os PMs estacionaram adiante, três agentes desceram e um deles disse “vaza”. Enquanto estava parado, o motorista enviou uma mensagem por WhatsApp a Laio Moraes, ex-assessor de Haddad, que o orientou a procurar o advogado da campanha.

Caseri afirmou aos delegados que não mantém vínculo político ou partidário com Haddad e ressaltou que não pretende acusar os policiais de crime ou abuso de poder. No depoimento, porém, disse ter entendido que a conduta dos PMs “não [era] o procedimento padrão de abordagem”.

A declaração confronta diretamente a negativa apresentada pelo governo paulista. Tarcísio afirmou no domingo (16) que a análise de dados de GPS das viaturas e de imagens de mais de 70 câmeras indicava que não houve perseguição nem abordagem. A Secretaria da Segurança Pública também vinha sustentando que suas diligências não haviam identificado procedimento irregular, enquanto a Polícia Civil passou a apurar o episódio.