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“Cobertor de segurança” e “chupeta humana”: quem é Natalie Harp, assessora de Trump

Natalie Harp e Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: reprodução

Natalie Harp, assessora de Donald Trump que ficou conhecida como a “impressora humana” do presidente, ganhou um novo apelido após ser identificada como uma das poucas pessoas escolhidas para acompanhá-lo durante a troca secreta de avião na Turquia, depois da cúpula da Otan no mês passado.

Segundo a jornalista do New York Times Maggie Haberman, Trump escolheu Harp, sua assistente executiva, para integrar o pequeno grupo que deixou secretamente o Air Force One durante a saída da Turquia. Ela e outros dois assessores embarcaram em um caminhão de catering para fazer a transferência do Boeing 747 presidencial para uma aeronave menor, que levou Trump de Ancara à base da RAF Mildenhall, no Reino Unido.

Para Haberman, a escolha de Harp tem uma explicação direta: ela funciona como uma espécie de “cobertor de segurança” para o presidente.

“Natalie Harp, porque ela é uma espécie de ‘Binkie’ dele — seu cobertor de segurança”, afirmou Haberman durante participação no programa MSNOW, apresentado por Jacob Soboroff.

“Binkie” é uma expressão informal em inglês para chupeta ou objeto de conforto infantil. Além de Harp, Trump levou Walt Nauta e Dan Scavino na transferência secreta.

Segundo Haberman, os dois foram escolhidos por terem uma relação de longa duração com Trump e ocuparem funções extremamente sensíveis dentro de sua estrutura pessoal e política.

Scavino trabalha com Trump há décadas. A relação começou quando ele ainda era adolescente e trabalhava como carregador de tacos de golfe em um dos clubes do presidente.

Nauta, diretor de Operações do Salão Oval, foi assistente militar de Trump durante seu primeiro mandato e continuou ao lado dele depois que deixou Washington após perder a eleição de 2020.

Nauta posteriormente se tornou corréu no processo envolvendo Trump e a retenção de documentos classificados em sua residência na Flórida após o fim do primeiro mandato.

Segundo Haberman, Nauta continua exercendo uma função semelhante à de um “body man”, o assessor que acompanha o presidente de perto durante sua rotina. Ele também carrega uma pasta marrom que acompanha Trump constantemente, contendo spray para cabelo, balas de menta e “todo tipo de coisa”.

Da “impressora humana” a administradora das redes de Trump

Harp ganhou o apelido de “impressora humana” durante a campanha de Trump porque costumava entregar ao presidente cópias impressas de notícias, publicações de redes sociais e outros conteúdos que considerava relevantes — inclusive postagens do próprio Trump.

Com o tempo, porém, sua função se ampliou.

Harp passou a desempenhar um papel importante na administração das publicações de Trump na Truth Social, plataforma usada pelo presidente para divulgar ataques políticos, comentários e anúncios.

Imagens do documentário “The Art of the Surge”, da Apple TV, mostram Harp realizando essa tarefa enquanto Trump e seus principais assessores assistiam ao discurso de campanha da então vice-presidente Kamala Harris durante a convenção democrata de 2024.

A função anteriormente era desempenhada principalmente por Scavino.

Harp controla as publicações de Trump

Segundo reportagem publicada pelo The Independent em fevereiro, Harp, que anteriormente trabalhou como personalidade de televisão em uma emissora de direita, está entre as pessoas com acesso à conta de Trump na Truth Social.

A reportagem atribuiu a ela a publicação de um vídeo racista que representava o ex-presidente Barack Obama e sua mulher, Michelle Obama, como macacos.

Harp trabalha diariamente nas proximidades do Salão Oval e administra as publicações de Trump nas redes sociais quando o próprio presidente não está fazendo isso diretamente.

A proximidade entre Harp e Trump passou a receber ainda mais atenção depois que veio a público a operação secreta de troca de avião durante a saída da Turquia.

A assessora, que tem pouco mais de 30 anos, já havia despertado preocupação entre integrantes do círculo presidencial e do Serviço Secreto por deixar para Trump bilhetes nos quais expressava sua admiração pelo presidente.

O irmão de Harp, com quem ela é afastada, classificou a relação dela com Trump como “doentia” e a chamou de “fã-clube” do presidente.

A revelação de que Harp esteve entre o reduzidíssimo grupo autorizado a deixar o Air Force One e acompanhar Trump em uma aeronave separada colocou novamente os holofotes sobre o grau de confiança e acesso que ela conquistou dentro do círculo mais próximo do presidente.