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“Plano secreto”: por que o Irã recusou acordo e se prepara para guerra longa

Painel em Teerã durante a guerra entre Estados Unidos e Irã
Painel em Teerã em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã. Foto: Reprodução

O Irã reforçou suas Forças Armadas e prepara novas ações militares no Oriente Médio, incluindo ofensivas no Estreito de Ormuz, enquanto as negociações com os Estados Unidos seguem paralisadas. A estratégia ganhou forma após uma trégua acertada em junho pelo presidente Donald Trump e autoridades iranianas.

O memorando previa o encerramento das operações militares, a reabertura do Estreito de Ormuz e novas conversas sobre o programa nuclear iraniano. Em troca, Teerã teria alívio de sanções, acesso a bilhões de dólares congelados e a possibilidade de um fundo de US$ 300 bilhões para reconstrução do país.

O Wall Street Journal afirmou o Irã tem um “plano secreto” e passou a desconfiar de que o acordo serviria para Estados Unidos e Israel se reorganizarem antes de uma nova ofensiva. Enquanto diplomatas mantinham as negociações públicas, a Guarda Revolucionária preparava tropas e grupos aliados para ampliar o conflito.

Três semanas após a assinatura do entendimento, o Irã voltou a atacar navios que cruzavam o Estreito de Ormuz. Teerã também pressionou interesses americanos por meio dos rebeldes Houthis no Mar Vermelho e lançou mísseis contra a Jordânia em julho.

Embarcações no Estreito de Ormuz. Foto: Reuters

Mojtaba Khamenei reorganiza a estrutura de segurança iraniana

O líder supremo Mojtaba Khamenei nomeou neste mês veteranos da Guarda Revolucionária e da guerra entre Irã e Iraque para postos estratégicos. A reorganização ocorre enquanto o governo enfrenta o risco de novos protestos impulsionados pela crise econômica.

Mohsen Rezaei, ex-comandante da Guarda Revolucionária, assumiu o Conselho Supremo de Segurança Nacional. Hossein Taeb retornou ao comando de uma rede paramilitar que também atua na repressão a manifestações, segundo o New York Times.

Khamenei determinou a ampliação dessa estrutura como uma rede de inteligência interna. O jornal americano avaliou que as mudanças mantêm o país em permanente estado de preparação para a guerra e indicam maior disposição do novo líder para confrontos com os Estados Unidos do que a demonstrada por seu pai, Ali Khamenei.

Uma parte da cúpula iraniana ainda defende um acordo, mas pretende negociar a partir de uma posição de força. A divisão ficou evidente quando diplomatas iranianos acertaram com Omã rotas para uma reabertura gradual de Ormuz, enquanto a Guarda Revolucionária retomou ataques contra embarcações na passagem marítima.