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Entenda o que causou dívida de R$ 140 milhões da Marabraz

Marca da Marabraz
Unidade da Marabraz fechada. Foto: Reprodução

A Marabraz pediu recuperação judicial com R$ 140 milhões em dívidas e aponta uma disputa entre os diretores Nasser Fares e Jamel Fares e seus filhos e sobrinhos como um dos fatores que agravaram a falta de crédito da rede de móveis e eletrodomésticos.

O pedido chegou à 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital de São Paulo no sábado (15). A dívida informada pela varejista reúne principalmente compromissos bancários e valores devidos a fornecedores.

Em comunicado, a empresa afirmou que continua operando com as lojas abertas. Nasser Fares, diretor do grupo, disse que o processo priorizará “a preservação de empregos e manutenção das relações construídas ao longo de sua história com clientes, fornecedores e parceiros”.

Nasser e Jamel tentam retomar o controle da LP Administradora de Bens, holding que concentra imóveis usados como garantias em operações de crédito da rede, conforme a petição de recuperação judicial. Filhos e sobrinhos dos dois executivos administram atualmente a sociedade.

Interior de unidade da rede Lojas Marabraz. Foto: Divulgação

Holding imobiliária está no centro do conflito entre os Fares

Os irmãos Fares alegaram em processo que os imóveis da LP foram comprados com recursos da Marabraz e alugados para a rede. Eles alegam que perder o acesso às garantias imobiliárias dificultou a renovação de financiamentos e a obtenção de capital de giro.

Os herdeiros contestam essa versão e afirmam que a holding e a varejista são empresas distintas, com patrimônios, administrações e responsabilidades próprias. A defesa dos sócios da LP declarou que não cabe atribuir à empresa imobiliária as decisões financeiras e operacionais que levaram a Marabraz ao atual quadro.

A LP Administradora surgiu em 2006 para gerir o patrimônio familiar e dividendos recebidos pelas Lojas Marabraz. Em 2011, os irmãos transferiram suas participações aos filhos; mais tarde, passaram a questionar a operação e alegaram que a venda de cotas teria sido simulada.

Em acórdão de setembro do ano passado, o tribunal manteve as participações dos filhos e apontou que os autores reconheceram ter transferido as cotas para blindar patrimônio em prejuízo da Fazenda Pública. O processo ainda não terminou e Nasser e Jamel podem recorrer.

A empresa afirmou que bancos passaram a exigir novas garantias, reduzir limites, elevar custos e deixar de renovar linhas necessárias ao capital de giro. Para o administrador Cláudio Santos, sócio da Galeazzi & Associados, uma reestruturação pode exigir redução de lojas e reorganização societária para afastar conflitos de interesse.