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Condenado por matar empresário diz que se reunia com governador do Maranhão

Carlos Brandão
O assassino confesso, Gilbson César Soares Cutrim Júnior. Foto: Divulgação

Gilbson César Soares Cutrim Júnior, condenado por um assassinato ocorrido em São Luís, afirmou em depoimentos à Polícia Federal que frequentava o Palácio dos Leões e mantinha reuniões com o governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), e com Daniel Brandão, sobrinho do governador e presidente afastado do Tribunal de Contas do Estado.

“Eu tinha uma vaga no Palácio dos Leões. Eu chegava, entrava, a vaga número 6”, relatou Gilbson. Segundo ele, as visitas eram registradas, mas normalmente ele avisava Daniel Brandão e entrava por uma área reservada da sede do governo para chegar ao local das reuniões. O primeiro relato foi prestado em 24 de junho de 2025. O SBT News confirmou que Gilbson repetiu a versão em outro depoimento, dado em 19 de fevereiro deste ano.

Gilbson afirmou que a aproximação com Carlos Brandão começou em 2021, quando o atual governador ainda era vice de Flávio Dino. Segundo sua versão, os primeiros encontros envolviam negociações sobre terras e foi nesse período que passou a tratar também com Daniel Brandão. As declarações são parte de uma investigação e, isoladamente, não comprovam as acusações feitas pelo condenado.

O caso surgiu a partir do assassinato do empresário João Bosco Sobrinho Pereira, morto a tiros em agosto de 2022 no edifício Tech Office, em São Luís. Gilbson foi condenado pelo crime. A investigação federal passou posteriormente a apurar se o homicídio ocorreu no contexto de uma disputa envolvendo dinheiro de contratos públicos e suposta divisão de propinas.

Carlos Brandão
O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB). Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress

Em novos depoimentos, Gilbson modificou pontos da versão apresentada originalmente à Justiça. Ele passou a afirmar que Daniel Brandão teria articulado a reunião que terminou no homicídio e também declarou ter participado de “negócios ilícitos” para integrantes da família, inclusive levando dinheiro ao governador dentro do Palácio dos Leões. Todas essas acusações seguem sob investigação.

O caso já havia ganhado novo peso nesta semana depois que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou o afastamento cautelar de Daniel Brandão da presidência do TCE-MA por 180 dias. A investigação também apura suspeitas de interferência na apuração do homicídio e possíveis tentativas de controlar depoimentos.

Carlos Brandão nega qualquer relação com Gilbson e classificou as acusações como mentirosas e sem provas. Em resposta ao relato sobre o estacionamento, o governador afirmou que a vaga número 6 mencionada pelo condenado está ocupada há anos por um gerador e divulgou uma imagem do local. Daniel Brandão também nega participação nas irregularidades investigadas.