
O marqueteiro Duda Lima, recém-chegado à pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), admitiu que o estilo de Jair Bolsonaro gera resistência entre mulheres e classificou a aproximação com esse eleitorado como um desafio para o bolsonarismo em 2026. Com informações de O Globo.
Em palestra da Companhia de Negócios, em São Paulo, o publicitário disse que a dificuldade decorre mais da comunicação do ex-presidente do que de suas posições. “Quando você pega alguém como Jair, que tem essa estrutura militar, motociata, essa coisa toda, esse jeito duro de falar, normalmente, mulher tem uma certa repulsão a isso”, afirmou.
Flávio tenta preservar a base política construída pelo pai sem incorporar a rejeição de Jair Bolsonaro em segmentos nos quais o bolsonarismo enfrenta mais obstáculos. A participação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ganha peso nessa estratégia de diálogo com as eleitoras.
As mulheres representam 52,8% das pessoas aptas a votar no Brasil, conforme dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral em junho. Em 2022, a campanha de Jair Bolsonaro também ampliou a exposição de Michelle na reta final da disputa para tentar reduzir a resistência nesse grupo.

O publicitário afirmou que o presidente Lula tem maior capacidade de estabelecer uma conexão emocional com o eleitorado. “Como a gente tem um candidato como o Lula, que tem uma capacidade de lidar com o lado emocional, de tocar as pessoas pela sua história, pela sua habilidade, pelo seu treino, pela sua capacidade, ele conecta com as pessoas”, disse.
Na avaliação de Lima, o campo bolsonarista mantém uma relação “mais racional” com os eleitores. Ele descartou soluções pontuais para reverter esse quadro e afirmou que a mudança depende da história apresentada pela candidatura, do formato da campanha e da forma de falar com o público.
Lima classificou a eleição presidencial como “super apertada”. Na última pesquisa Quaest citada por ele, Lula tinha 43% e Flávio Bolsonaro, 40%, em um eventual segundo turno, dentro da margem de empate técnico.
O marqueteiro também apontou o Nordeste como área estratégica para a campanha. No segundo turno de 2022, Lula recebeu 69,34% dos votos válidos na região, ante 30,66% de Jair Bolsonaro; Lima citou energia, agricultura, logística, centros de dados e inteligência artificial ao dizer que “o futuro do Brasil está lá”.