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Após disparada sob Trump, dívida dos EUA ultrapassa US$ 40 trilhões

Trump
Foto: Annabelle Gordon/Reuters

A dívida federal bruta dos Estados Unidos ultrapassou pela primeira vez a barreira dos US$ 40 trilhões. Tendo dobrado desde que Trump assumiu o primeiro mandato, em 2017.

Do total, US$ 32,266 trilhões correspondem a títulos nas mãos do público, incluindo investidores, bancos, governos estrangeiros e o Federal Reserve. Outros US$ 7,782 trilhões são obrigações entre órgãos e fundos do próprio governo. Os números constam do balanço diário do Departamento do Tesouro e foram divulgados pela Reuters.

O endividamento mais que dobrou desde janeiro de 2017, quando Donald Trump iniciou seu primeiro mandato e a dívida estava em US$ 19,95 trilhões. O estoque cresceu US$ 7,8 trilhões naquele governo, avançou outros US$ 8,4 trilhões durante a gestão de Joe Biden e já aumentou US$ 3,8 trilhões desde o retorno de Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025. Somados os dois mandatos do republicano, a alta chega a US$ 11,6 trilhões.

Esses valores mostram quanto a dívida cresceu durante cada governo, mas não podem ser atribuídos exclusivamente ao presidente que ocupava o cargo. Orçamentos anteriores, decisões do Congresso, taxas de juros e condições econômicas também interferem no resultado. Cerca de um terço da expansão registrada desde 2017 ocorreu durante o endividamento emergencial para enfrentar a pandemia, sob Trump e Biden.

Dívida Publica dos Estados Unidos

O restante está ligado a déficits estruturais e a decisões tributárias e orçamentárias tomadas pelos dois governos. No caso de Trump, o Escritório de Orçamento do Congresso estima que o pacote fiscal sancionado em seu segundo mandato elevará os déficits acumulados em US$ 4,1 trilhões entre 2025 e 2034, já considerados os custos adicionais com juros.

A pressão aumentou no atual ano fiscal. O déficit de julho chegou a US$ 432 bilhões, o quarto maior resultado mensal negativo da história estadunidense. O rombo acumulado nos dez primeiros meses do ano fiscal de 2026 já superou o registrado durante todo o exercício anterior.

Os Estados Unidos gastam aproximadamente US$ 7 trilhões por ano, dos quais cerca de 60% são destinados a programas obrigatórios, como Previdência Social, Medicare, Medicaid e assistência a veteranos. Outros US$ 1,1 trilhão são consumidos pelos juros. Nos primeiros dez meses do atual ano fiscal, essa despesa ultrapassou o Medicare e se tornou a segunda maior rubrica federal, atrás apenas da Previdência Social.

O marco não significa que os Estados Unidos estejam diante de um calote imediato, mas reduz a margem do governo para enfrentar novas crises e encarece o financiamento da economia. Os rendimentos dos títulos de longo prazo atingiram os maiores níveis em quase duas décadas, enquanto a procura de investidores estrangeiros perdeu força. Diante da pressão, o Tesouro anunciou que dobrará para pelo menos US$ 4 bilhões por operação as recompras de títulos com vencimentos entre dez e 30 anos.