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Campanha de Flávio prevê derrota no TSE por deepfake de Bolsonaro

Flávio Bolsonaro
O presidenciável, Flávio Bolsonaro (PL) emocionado ao ver reprodução de seu pai feita com IA durante a convenção do PL. Foto: Allison Sales/Folhapress

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) passou a considerar provável uma derrota no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na discussão sobre o vídeo produzido por inteligência artificial que simulou Jair Bolsonaro durante a convenção partidária do senador. Segundo o Painel, da Folha de S.Paulo, a avaliação foi formada após integrantes da campanha conversarem com membros da Corte.

O vídeo foi exibido no fim de julho e reproduziu digitalmente a imagem e a voz do ex-presidente. A peça informava que o conteúdo havia sido produzido com inteligência artificial, ponto usado pela defesa para sustentar que o público não teria sido enganado sobre a natureza da gravação.

As normas eleitorais, porém, distinguem a obrigação de identificar conteúdos produzidos com inteligência artificial da proibição específica dos deepfakes. A resolução do TSE determina que conteúdos sintéticos sejam rotulados, mas também proíbe o uso, para favorecer ou prejudicar uma candidatura, de áudio ou vídeo criado ou manipulado digitalmente para substituir ou alterar imagem ou voz de uma pessoa, mesmo quando há autorização.

O caso de Flávio já está no centro da discussão do tribunal sobre como aplicar essa regra às eleições de 2026. Em 13 de agosto, os ministros do TSE já discutiam a adoção de um entendimento amplo sobre a vedação aos deepfakes. O novo elemento é que a própria campanha passou a considerar a derrota como o resultado mais provável.

Aliados do senador acreditam que o tribunal deverá concluir que a identificação do conteúdo como sintético não basta para tornar permitido um vídeo que reproduz artificialmente imagem e voz de uma pessoa com finalidade eleitoral. Essa é, por enquanto, uma avaliação da campanha a partir dos contatos mantidos com integrantes da Corte, e não uma decisão já tomada pelo TSE.

Ao mesmo tempo, o grupo de Flávio avalia que a campanha poderá escapar de uma punição pelo episódio específico da convenção. Os aliados sustentam que havia controvérsia sobre a interpretação da regra para uma peça explicitamente identificada como artificial. Essa expectativa também não representa posição oficial do tribunal.

A decisão sobre o caso poderá definir a aplicação prática das normas de inteligência artificial ao restante da campanha presidencial. A regra vigente já prevê a proibição dos deepfakes; o que está em discussão é como o TSE enquadrará o vídeo usado por Flávio e quais consequências serão aplicadas ao episódio.