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Poder de compra dos alimentos supera nível do governo Bolsonaro

Pessoas empurram carrinhos em corredor de supermercado com pacotes de arroz nas prateleiras
Clientes empurram carrinhos em corredor de supermercado com prateleiras de alimentos e placas de preços. Foto: Reprodução

O poder de compra dos alimentos melhorou em relação ao fim do governo Jair Bolsonaro: em agosto, o salário mínimo comprava 1,8 cesta básica em São Paulo, alta de 11,3% ante as 1,62 cestas de agosto de 2022. O indicador ainda ficou cerca de 13% abaixo da média observada antes da pandemia, segundo a Folha de S.Paulo.

O cálculo considera o salário mínimo de R$ 1.621 e o custo de R$ 900,59 da cesta básica na capital paulista. O levantamento do economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, compara o número de cestas que podem ser adquiridas com o piso nacional e com a renda média do trabalho às vésperas do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para este domingo (4).

Em agosto de 2022, quando Jair Bolsonaro (PL) disputava a reeleição, o mínimo era de R$ 1.212 e a cesta básica em São Paulo custava R$ 749,78. Lula (PT) retomou a política de valorização real do salário mínimo a partir de 2023, mas os rendimentos não compensaram toda a alta acumulada dos alimentos desde o choque provocado pela pandemia.

Entre 2010 e 2019, o salário mínimo permitia comprar, em média, 2,07 cestas básicas na capital paulista. O melhor resultado da série, iniciada em 1998, ocorreu em março de 2012, quando o piso equivalia a 2,28 cestas.

Lula e Jair Bolsonaro durante debate em 2022. Foto: Estadão Conteúdo

Renda média também supera 2022, mas não recupera nível anterior à pandemia

O cenário se repete na comparação com o rendimento habitual de todos os trabalhos. No trimestre encerrado em agosto, a renda média mensal chegou a R$ 3.777, quantia suficiente para comprar 4,07 cestas básicas, considerando o preço médio de R$ 927,02 no período em São Paulo.

O resultado representa avanço de 15% sobre agosto de 2022, quando a renda média equivalia a 3,54 cestas. Ainda assim, o indicador ficou aproximadamente 15% abaixo da média de 4,82 cestas registrada entre 2010 e 2019, com dados de rendimento do IBGE.

A cesta pesquisada pelo Dieese reúne 13 itens: carne, leite, feijão, arroz, farinha, batata, tomate, pão, café, banana, açúcar, óleo e manteiga. Não existe uma média nacional para o preço desse conjunto de produtos, por isso o levantamento usa os valores de São Paulo para medir a capacidade de compra.

As projeções de Imaizumi indicam que tanto o salário mínimo quanto a renda do trabalho devem permanecer abaixo da média pré-pandemia até dezembro de 2027. Analistas apontam o El Niño como risco para a inflação de alimentos no fim de 2026, pois alterações no regime de chuvas podem afetar a produção agropecuária e elevar os preços ao consumidor.