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Defensoria cobra aumento de cotas raciais em concursos da USP

Fachada da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP
Fachada da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP, na Cidade Universitária, em São Paulo. Foto: Reprodução

O Núcleo Especializado de Promoção da Igualdade Racial e de Defesa dos Povos e Comunidades Tradicionais (Nupir), da Defensoria Pública de São Paulo, enviou à USP (Universidade de São Paulo) uma nota técnica que pede mudanças na política de ações afirmativas para concursos de docentes. O órgão recomenda que a universidade reserve ao menos 30% das vagas para candidatos negros e indígenas, segundo a coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo.

O documento sustenta que a regra adotada pela USP limita a reserva direta de vagas. Entre janeiro de 2022 e maio de 2026, 98,37% dos 1.721 concursos concluídos pela instituição ofereceram apenas uma ou duas vagas, número que os deixou fora desse mecanismo.

Uma resolução publicada em maio de 2023 estabeleceu reserva de 20% para pessoas pretas, pardas e indígenas em editais com três ou mais vagas. Para seleções com uma ou duas oportunidades, a norma prevê bonificação na nota dos candidatos.

Após a resolução entrar em vigor, apenas 18 dos 1.189 concursos concluídos tiveram reserva direta de vagas, aponta o Nupir. Para o núcleo, o piso de três vagas produz, mesmo sem intenção declarada, um efeito prático de neutralizar a política afirmativa.

Ato a favor do sistema de cotas em frente à reitoria da Universidade de São Paulo (USP). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Bonificação teve alcance limitado nos concursos da USP

Nos concursos com registros informatizados a partir de 2025, 67 docentes pretos e pardos foram indicados para receber a pontuação diferenciada. Só 16 receberam a bonificação; em quatro desses casos, ela não alterou o resultado porque havia apenas um candidato.

Com esses dados, o Nupir calcula que a medida trouxe benefício concreto para, no máximo, 18% dos docentes negros analisados. O núcleo defende que a reserva direta assuma o papel principal da política de inclusão, em vez de depender da bonificação.

A nota também classifica como “extremamente baixo” o crescimento da participação de docentes negros na universidade, que passou de 2,6% em 2022 para 4% em 2025. Entre os docentes PPI admitidos, a proporção chega a 17,6% nos cargos temporários, cai para 14,7% entre doutores e alcança 8,3% entre titulares.

Como alternativa, a Defensoria propõe reunir as oportunidades em um edital único da USP, em vez de distribuí-las por unidades ou departamentos. A medida reduziria a quantidade de concursos com menos de três vagas; o núcleo cita mudanças já adotadas pela UFBA e pela Unesp como referências.

Procurada, a USP afirmou que o número de docentes pretos e pardos cresce desde 2023 e declarou que discute ajustes e melhorias para aprimorar a política afirmativa nos concursos públicos.