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Cientista acusado de assédio sexual vai receber R$ 30 milhões por difamação

David Sabatini e Kristin Knouse. Foto: Reprodução

O pesquisador biomédico David Sabatini obteve o direito a receber US$ 6 milhões (cerca de R$ 30 milhões) após um júri dos Estados Unidos concluir que a ex-colega Kristin Knouse o difamou em acusações ligadas ao relacionamento entre os dois. O veredito saiu na última sexta (16).

O júri também concluiu que não houve crime sexual na relação. Sabatini havia perdido seu posto no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) após as alegações feitas por Knouse, com quem trabalhou no Whitehead Institute for Biomedical Research, em Cambridge.

Os dois se conheceram em 2012 e começaram um relacionamento sexual em 2018, encerrado no ano seguinte. Posteriormente, Knouse afirmou que a relação havia sido forçada, enquanto Sabatini sustentou no processo que ela foi consensual.

Em 2021, as acusações levaram Sabatini a deixar o Whitehead, onde chefiava havia cerca de 24 anos um laboratório voltado à biologia celular. O instituto também identificou, em sua investigação, um ambiente sexualizado no laboratório, apontamento que o cientista contestou.

Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Foto: Reprodução

Mensagens foram usadas pela defesa de Sabatini

Na ação por difamação, a advogada Lisa Arrowood apresentou mensagens trocadas entre Sabatini e Knouse para defender que ela participava do relacionamento por vontade própria. Knouse apresentou uma ação contraposta, na qual acusou o pesquisador de assédio sexual.

Em uma conversa de 2020 exibida durante o julgamento, Knouse escreveu que estava “dedicando muita energia e emoção a um jogo que estou fadada a perder” e perguntou se não seria melhor cortar os laços, mantendo apenas os profissionais. Ela acrescentou: “Mas, na maior parte do tempo, sinto-me em paz e quero fazer tudo o que estiver ao meu alcance para ajudá-lo”.

A equipe de Sabatini também alegou que Knouse sentiu ciúmes de outra mulher e tentou provocar sua demissão. Após o resultado, o cientista declarou à Fox News Digital: “Tudo terminou. Ganhamos tudo, não perdemos nada. Foi uma vitória completa”.

Ellen Zuker, advogada de Knouse, anunciou recurso contra a decisão. “A triste realidade do nosso tempo é que a sociedade ainda tem dificuldade em acreditar nas mulheres e em reconhecer os desafios que elas enfrentam com homens que, com frequência excessiva, controlam os seus destinos”, afirmou.

Após o trânsito em julgado, Sabatini poderá cobrar o valor integral da indenização. Sem acordo ou pagamento voluntário, sua defesa poderá pedir medidas como retenção de salários, congelamento de contas bancárias ou penhora de bens.

Sabatini hoje mantém o David Sabatini Lab, com atividades em Praga, na República Tcheca, e em Boston. Ele atua em parceria com o Instituto de Química Orgânica e Bioquímica de Praga e é casado com a pesquisadora Lena Pernas.