
A vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no saldo de sentimento das redes sociais caiu de 41,1 pontos no sábado (17) para 0,1 ponto no domingo (18), dia do debate presidencial da Band. O levantamento é da Datrix e foi divulgado nesta segunda-feira (19) pela coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo.
A parcial desta segunda mostra uma recuperação do senador, que voltou a abrir 8,4 pontos de vantagem sobre o petista. O indicador corresponde à diferença entre os percentuais de publicações positivas e negativas sobre cada candidato. A comparação mede a repercussão nos conteúdos monitorados, sem representar intenção de voto.
Entre os assuntos que circularam de 16 a 19 de outubro, o desafio de Lula para que Flávio Bolsonaro abrisse seus sigilos bancário e telefônico e a defesa do fim da escala 6×1 favoreceram o presidente. As discussões sobre Roberta Luchsinger e Lulinha tiveram efeito negativo para o petista. Para o senador, os atos de rua e as manifestações de apoio contribuíram positivamente, enquanto os temas ligados a dinheiro, patrimônio, sigilos e jornada de trabalho pesaram contra ele, segundo a Datrix.
Flávio Bolsonaro manteve vantagem na quantidade de perfis influentes que falaram sobre sua candidatura. Entre 14 e 18 de outubro, para cada 100 veículos de comunicação, políticos e influenciadores com pelo menos 10 mil seguidores que publicaram sobre o senador, 63 mencionaram Lula. Esse recorte exclui o X e reúne tanto elogios quanto críticas; portanto, a maior presença não significa necessariamente maior apoio.

O levantamento também identificou mobilização de grupos políticos para impulsionar buscas no Google durante o debate, que exibia termos em alta nos intervalos. A expressão “Lula sócio da Roberta”, promovida pelo canal de WhatsApp “Tropa do Flávio”, cresceu mais de 5.000%, com pico às 20h44. Às 22h, buscas sobre o caso da menina Ana Clara, incentivadas pelo canal “Exército do Lula”, superaram 1 milhão e chegaram ao topo das tendências do dia.
João Paulo Castro, CEO e cofundador da Datrix, avaliou que a disputa está virtualmente empatada nas redes, com uma tendência favorável a Flávio Bolsonaro entre os perfis mais influentes. Na avaliação dele, a campanha de Lula avançou na compreensão da importância da influência digital, mas ainda enfrenta uma base bolsonarista mais organizada e capaz de sustentar o engajamento.
O embate sobre os sigilos ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira. Lula anunciou que entregará ao Tribunal Superior Eleitoral uma autorização para abrir seus sigilos bancário e telefônico e os de familiares, na terça-feira (20), e cobrou a mesma iniciativa de Flávio Bolsonaro. No debate, o senador afirmou não ter “absolutamente nada a esconder”, mas não respondeu se apresentará a autorização formal.