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Direita soma 90% das interações de Vorcaro; sete ex-membros da gestão Bolsonaro têm 71%

Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira nos Alpes suíços. Reprodução piauí

Sete ex-integrantes do governo Jair Bolsonaro concentram 71% das interações de Daniel Vorcaro com políticos identificadas em um celular do banqueiro apreendido pela Polícia Federal. O levantamento da revista piauí, publicado nesta segunda-feira (19) e realizado em parceria com a organização de pesquisa em segurança digital InterSecLab, mostra que nomes classificados como de direita respondem por 90% dos registros, contra 9% do centro e 1% da esquerda.

A análise reúne cerca de 41,6 mil interações com 56 interlocutores políticos, contabilizadas nas bases do aparelho até 18 de novembro de 2025. Inclui mensagens preservadas, apagadas ou expiradas, chamadas de WhatsApp, ligações registradas no iPhone e SMS. A classificação política foi feita pela revista a partir dos partidos e das trajetórias dos citados. Magistrados e dirigentes do Banco Central e do Tribunal de Contas da União ficaram fora desse cálculo.

Os sete nomes que concentram os registros são Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações; Bruno Bianco, ex-advogado-geral da União; Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil; Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação Social da Presidência; Mário Frias, ex-secretário de Cultura; e João Roma e Ronaldo Bento, ex-ministros da Cidadania. O percentual abrange as interações com essas pessoas, sem se limitar ao período em que exerceram os cargos no governo Bolsonaro.

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Foto: Arte/DCM

Faria aparece isolado na liderança: são 19.293 interações, equivalentes a 46,3% do total. Também concentra 16 horas de chamadas com Vorcaro, das 33 horas contabilizadas com políticos de direita nos registros cuja duração pôde ser recuperada. O ex-ministro vendeu um projeto de energia eólica por R$ 67,5 milhões a uma empresa ligada ao banqueiro. A revista registra sua versão de que não mantinha relação com Vorcaro enquanto era ministro; ele não respondeu ao novo pedido de comentário.

Bianco ocupa a segunda posição, com 4.782 interações, ou 11,5% do total. Dessas, 4.161 expiraram. Segundo o perfil interativo, ele passou a advogar para Vorcaro em 2024, em ações envolvendo cessões de créditos do Master e precatórios. O ex-AGU afirmou que seus contatos decorreram do exercício regular da advocacia e não tinham relação com sua passagem pelo governo Bolsonaro.

Ciro aparece em terceiro, com 3.967 interações, equivalentes a 9,5% do total, das quais 3.832 expiraram. O senador e presidente do PP apresentou a chamada “emenda Master”, que ampliaria de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. Segundo a PF, a proposta foi redigida pela assessoria do banco. Ciro nega irregularidades e contesta as interpretações da investigação. Não respondeu à revista.

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Foto: Arte/DCM

O quarto colocado é Antonio Rueda, presidente do União Brasil. Entre suas conversas com Vorcaro está o pedido “Apaga essas mensagens”, enviado em 12 de julho de 2024, data em que o instituto de previdência do Amapá aprovou uma aplicação de R$ 200 milhões no Master. Segundo a reportagem, quatro minutos depois foi ativado um temporizador de 24 horas para as mensagens. Rueda atribui sua relação com o banco à prestação de serviços advocatícios documentados e nega irregularidades.

João Doria fecha o grupo dos cinco principais interlocutores, com 2.309 interações, ou 5,5% do total. Classificado pela publicação como de centro, o ex-governador de São Paulo afirmou que o Master era um dos patrocinadores dos eventos do Lide. O perfil interativo cita registros fiscais de pagamentos de R$ 1,38 milhão à D Advisors em 2023 e conversas sobre renovação contratual em 2024. A revista informa que não identificou investigação formal contra ele.

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece na consulta individual com 246 interações, equivalentes a 0,6% do total e à 16ª posição no ranking. A reportagem informa que 115 de suas interações estão sem conteúdo recuperado. O senador e candidato à Presidência, que é investigado no STF por suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Willer Tomaz, não quis se pronunciar à piauí.

Outro gráfico contabiliza quantas vezes os interlocutores se trataram como “irmão” ou por expressões semelhantes nas mensagens preservadas. Faria usou esses termos para se dirigir a Vorcaro 176 vezes, enquanto o banqueiro os empregou 79 vezes com o ex-ministro. Nas conversas com Flávio, foram oito ocorrências do lado do senador e sete do banqueiro. A contagem considera conversas individuais de texto e utiliza uma classificação automática que, segundo a metodologia, pode apresentar erros pontuais.

Wajngarten teve 1.151 interações com Vorcaro, das quais 1.071, cerca de 93%, expiraram. Entre as mensagens preservadas, a revista identificou o envio de dados bancários, em abril de 2025, para pagamentos de R$ 20 milhões à Record e de R$ 3,2 milhões à sua empresa, a WF Comunicação Estratégica. O ex-secretário afirmou que foi contratado para cuidar da comunicação da defesa do banqueiro e atribuiu o volume de contatos à distribuição de notícias. Não esclareceu a finalidade do pagamento indicado para a emissora.

Entre os quatro interlocutores classificados à esquerda estão os ex-ministros Guido Mantega e Ricardo Lewandowski, que atribuíram os contatos a atividades de consultoria para o Master. A metodologia ressalta que os vestígios de mensagens expiradas permitem contar interações, mas, em regra, não recuperar seu conteúdo ou identificar seu autor. Por isso, os números incluem registros cujo teor permanece desconhecido. A publicação procurou os 56 políticos mapeados e recebeu respostas de 33 até o fechamento.