
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, mobilizou aliados para conter o desgaste provocado por uma fala de sua coordenadora econômica, Daniella Marques, sobre regras de transição do Bolsa Família. A declaração abriu espaço para críticas de adversários na reta final do segundo turno, marcado para o domingo (25).
Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio negou que pretenda limitar o pagamento do benefício a dois anos. Ele disse que esse prazo valeria apenas para beneficiários que conseguissem emprego ou abrissem um negócio, com retorno ao programa no mesmo dia caso fossem demitidos ou a atividade econômica não desse certo.
Daniella Marques tratou da proposta em entrevista à CBN Bahia, na segunda-feira (19). Integrantes da campanha relataram desconforto com a repercussão e avaliaram que a ex-presidente da Caixa não explicou com clareza como funcionaria a transição para as famílias atendidas pelo programa.
O PT associou a fala à promessa de Flávio de cortar R$ 200 bilhões em despesas públicas e sustentou que programas sociais poderiam sofrer cortes. O entorno do senador rejeita essa interpretação e pretende ampliar a defesa de benefícios sociais nas agendas e nas redes.
🚨🚨PESSOAL URGENTE
Esse áudio tem que EXPLODIR
A coordenadora do Flavio Bolsonaro disse que quem está no Bolsa Família vai ter o benefício cancelado em no máximo 2 anos.
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Haddad
Collor https://t.co/4YZUQzgQ7e— Papi (@xbzpapi) October 19, 2026
Campanha tenta esclarecer regras e ampliar alcance fora do bolsonarismo
Pelas regras atuais do Bolsa Família, um emprego formal não provoca automaticamente o desligamento da família. Quem ultrapassa o limite de renda pode receber metade do benefício por um período, dentro dos critérios do programa, e há previsão de retorno para famílias que voltem à situação de pobreza. As regras consideram também o valor salarial na família, podendo ser mantido em até 50%.
A controvérsia ocorre na semana em que os beneficiários começaram a receber o reajuste de 15% concedido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Aliados de Flávio consideram que o tema dificulta a disputa por eleitores que dependem de programas de transferência de renda.
Na quarta-feira (21), o senador tem previsão de cumprir agendas em São Paulo e no Ceará. Em Fortaleza, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice na chapa, deve reforçar a presença da campanha no Nordeste.
Flávio deve permanecer no Rio de Janeiro para se preparar para o debate da TV Globo, na sexta-feira (23), e encerrar a campanha no sábado (24), com compromissos em Minas Gerais e no Rio.
Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito Ricardo Nunes (MDB) articulam prefeitos e vereadores em São Paulo, enquanto o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) é esperado em mobilização na capital cearense.