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“Heresia econômica”: Miriam Leitão expõe mentiras de Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Em sua coluna no jornal O Globo nesta terça-feira (20), a jornalista Miriam Leitão expôs as mentiras da campanha econômica de Flávio Bolsonaro (PL), acusando-o de copiar as propostas de Lula (como a compra de dívidas) e ampliá-las de forma improvisada e populista, sem estudos prévios.

Enquanto Lula delimita público-alvo, valores , Flávio promete congelamento de dívidas e refinanciamento pela Caixa sem especificar limites, o que levaria a um custo infinito. Miriam ainda classifica a promessa de Flávio de usar a queda dos juros para ampliar gastos em R$ 200 bilhões como “heresia econômica”. Leia trechos da coluna de Miriam Leitão: 

Na economia, essa campanha virou uma disputa de quem faz mais populismo fiscal. Flávio Bolsonaro copia as proposta de Lula e aumenta ainda mais as despesas. Lula prometeu que o Tesouro compraria dívidas velhas dos endividados exigindo dos credores um desconto. Flávio pegou carona na proposta e disse que vai comprar também, mas vai congelar a dívida restante das pessoas físicas por seis meses, e, das pessoas jurídicas, por um ano.

[…]

Pode-se discordar, mas tem lógica. Flávio Bolsonaro está copiando tudo o que Lula anuncia, elevando as ofertas numa espécie de leilão de populismo.

As propostas de Lula são expansionistas. As de Flávio são uma cópia improvisada das de Lula e ainda mais expansionistas. Só que ele está prometendo ao mercado financeiro um corte de gastos de R$ 200 bilhões.

[…]

Flávio Bolsonaro está propondo sem ter feito os estudos prévios porque está pegando carona no que o seu oponente disse.

Lula propôs a compra de carteiras das dívidas, mas estabeleceu métodos e limites. Serão dívidas bancárias e não bancárias de até 10 mil reais no valor original. As dívidas atingidas pelo programa são as de mais de dois anos e de menos de quatro anos e meio.

[…]

Miriam Leitão, colunista do Globo. Foto: reprodução

Flávio Bolsonaro repetiu Lula no debate da Band e disse que ele também vai comprar a dívida. Mas fará mais. Vai congelar a dívida remanescente.“Você não vai pagar boleto nenhum, seis meses congelado, sua dívida parada e você que é pessoa jurídica esse prazo é de um ano, um ano sem pagar os boletos das suas dívidas atrasadas”. Ficará uma parte para ser paga. “A sua parcela que você pagava R$ 100, R$ 200, vai chegar a R$ 20 e a R$ 30”. Mas isso será refinanciado pela Caixa.

[…]

Flávio Bolsonaro disse no debate da Band o seguinte: “O simples fato de Flávio Bolsonaro virar do primeiro para o segundo turno na frente, a taxa de juros futuros já caiu 2%. Com essa dívida que o atual governo está deixando de R$ 11 trilhões, se você fizer uma conta rápida, com Flávio Bolsonaro presidente da República, muito rapidamente você já vai ter um espaço no orçamento de R$ 200 bilhões. Sabe o que eu vou fazer com isso? Eu vou ajudar você a pagar a sua dívida”.

Isso é uma heresia econômica e monetária. Não se usa a “economia” com o custo menor da dívida pública para ampliar gastos. Se Lula falasse algo assim seria crucificado na Faria Lima.

A estratégia de Flávio é a seguinte: fugir das perguntas pela tangente, repetir à exaustão propostas na segurança pública que não resolvem o problema mas parecem efetivas, partir para o ataque quando é confrontado com os muitos indícios de corrupção dele e da família Bolsonaro, copiar todas as propostas econômicas de Lula, dizendo que fará o mesmo e muito mais.

[…]

Criando confusão nos debates, nas entrevistas e nas postagens, Flávio Bolsonaro escapa da pior questão que pesa sobre ele: o risco real que ele representa para a democracia, por tudo o que já disse e por tudo que o bolsonarismo sempre defendeu.