
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) recebeu R$ 20,3 milhões em doações de pessoas físicas no segundo turno, valor quase 29 vezes maior que os R$ 709,1 mil arrecadados pela candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os recursos privados equivalem a cerca de 76% dos R$ 26,8 milhões declarados pelo candidato do PL no período.
As prestações de contas parciais entregues à Justiça Eleitoral indicam que empresários do agronegócio, da construção civil e da indústria estão entre os principais financiadores de Flávio. Lula registrou R$ 678,9 mil por financiamento coletivo e R$ 30,2 mil em doações diretas de pessoas físicas.
As doações privadas à candidatura de Flávio cresceram depois do primeiro turno. O montante de R$ 20,3 milhões representa quase o triplo dos R$ 6,95 milhões registrados naquela fase da disputa.
O agronegócio destinou ao menos R$ 7,8 milhões à campanha do candidato do PL no segundo turno. O produtor de soja Elói Vitório Marchett, de Mato Grosso, fez a maior contribuição individual, de R$ 2 milhões.

Empresários do agronegócio concentram aportes à campanha
Integrantes da família Maggi doaram, juntos, R$ 1,5 milhão a Flávio Bolsonaro desde o primeiro turno. Elizeu Zulmar Maggi Scheffer e Carolina Mognon Scheffer, fundadores do Grupo Scheffer, contribuíram com R$ 500 mil cada, enquanto Samuel Maggi Locks, ligado ao Grupo Locks, enviou outros R$ 500 mil.
Felipe Eleutério Alvares Vaz, sócio do Frigorífico Goiás de Catalão, doou R$ 800 mil no dia 15. Gilson Lari Trennepohl, proprietário da fabricante de máquinas agrícolas Stara, contribuiu com R$ 500 mil no dia 14.
A Frente Parlamentar da Agropecuária declarou apoio a Flávio dois dias depois do primeiro turno. O deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR) citou os juros altos durante o governo Lula ao justificar a posição da bancada ruralista, que também defende mais crédito rural, seguro agrícola, regularização fundiária e redução da dependência de fertilizantes importados.
A construção civil respondeu pelo segundo maior volume setorial de doações à candidatura do PL, com pelo menos R$ 2,4 milhões. Alexandre Grendene, fundador e maior acionista da fabricante de calçados Grendene, dona das marcas Melissa e Rider, transferiu R$ 1 milhão no dia 16.
Enquanto isso, o PT transferiu R$ 20 milhões do Fundo Eleitoral para Lula no dia 8 de outubro. Esse repasse responde pela maior parte dos R$ 20,71 milhões registrados pela campanha petista desde 5 de outubro; os recursos privados representam 3,4% do total.
O PL destinou cerca de R$ 6 milhões à candidatura de Flávio desde 5 de outubro: R$ 4 milhões do Fundo Partidário e R$ 2,46 milhões para locação de aviões. Em toda a campanha, o partido repassou R$ 67,5 milhões dos R$ 95,5 milhões arrecadados pelo candidato, considerando Fundo Eleitoral e Fundo Partidário.
A legislação impede doações empresariais desde 2017, mas permite que empresários contribuam como pessoas físicas com até 10% dos rendimentos brutos declarados no ano anterior à eleição, salvo exceções previstas para doações estimáveis em dinheiro. O PT financiou cerca de R$ 100 milhões da campanha de Lula ao somar os dois turnos.