
O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que o irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), não comandaria o Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo. Questionado duas vezes pela jornalista Renata Lo Prete, da TV Globo, na sexta-feira (16), ele respondeu de forma direta: “Não será chanceler”.
A posição surpreendeu pessoas ligadas a Eduardo, que tratavam sua indicação ao Itamaraty como provável, mas segundo o Uol, trata-se de uma estratégia para se aproximar do Centrão. Integrantes do grupo do ex-deputado discutiam até nomes para postos estratégicos da diplomacia, como a chefia de gabinete e a secretaria-geral da pasta.
Na semana anterior, Eduardo chegou a expor ideias para uma eventual passagem pelo ministério. “No que depender de mim, embaixador vai ter meta. A depender do país haverá meta para atrair comércio, investimento, venda de produtos brasileiros etc.”, disse.
O ex-deputado também afirmou que consideraria o comportamento de futuros integrantes do governo entre 2022 e 2024. “Para mim, é requisito para entrar no governo uma análise do comportamento da pessoa entre 2022 e 2024”, declarou, ao defender critérios políticos para nomeações.
Resistência a Eduardo e nomes cotados para a chancelaria
Empresários e políticos da direita tradicional têm feito ressalvas ao nome de Eduardo para a diplomacia. Eles citam os embates públicos dele com a China, principal parceiro comercial do Brasil, e sua atuação nos Estados Unidos em defesa de punições contra o país para pressionar por anistia a Jair Bolsonaro.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro, aparece entre os nomes cotados para o Itamaraty. Diplomatas como Roberto Azevêdo e Marcos Troyjo também são mencionados como alternativas para a pasta.

A relação entre o grupo de Eduardo e setores do centrão sofreu desgaste durante a crise das tarifas de 50% impostas ao Brasil no ano passado. Na ocasião, parlamentares brasileiros viajaram aos Estados Unidos para buscar interlocução no Congresso americano, e Eduardo telefonou a aliados em Washington para cancelar agendas da comitiva, que se reuniu com apenas um republicano oposicionista de Donald Trump.
Aliados de Flávio têm procurado separar a campanha presidencial da atuação de Eduardo, que vive nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado. Condenado pelo STF por coação de autoridades no curso do processo, ele teve o passaporte cassado e é alvo de pedido de prisão; para retornar ao Brasil e assumir um cargo, dependeria de uma anistia aprovada pelo Congresso ou de eventual indulto presidencial.