
Uma apoiadora do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que aparece em vídeos de campanha nas redes sociais, é, na realidade, uma personagem criada por inteligência artificial (IA) para atrair seguidores e comercializar conteúdo adulto.
A denúncia foi feita pelo influenciador digital Guga Figueiredo, conhecido como “Xerife da Internet”, em um vídeo no qual apresenta indícios de manipulação de imagens e reutilização de entrevistas.
A personagem, apelidada de “Loirona do Flávio”, ou “Loira do Flávio”, aparece em publicações ao lado do candidato, sobre trios elétricos, cantando jingles eleitorais e respondendo a perguntas sobre a família conservadora. Segundo Figueiredo, o perfil já ultrapassou 500 mil seguidores e utiliza conteúdos relacionados ao bolsonarismo para ampliar seu alcance nas redes sociais.
“Essa loirona bonita aqui está sempre, ó, do ladinho do Flávio Bolsonaro, em cima do trio, na rua, cantando jingle, respondendo pesquisas na rua”, afirma o influenciador. Ele chama a atenção para características recorrentes nas gravações, como o uso das mesmas roupas e o fato de a personagem aparecer descalça em diferentes situações.
“E isso é porque ela não existe, e ela é uma criação de inteligência artificial para poder vender conteúdo adulto”. A personagem seria utilizada para atrair usuários interessados em política e direcioná-los a plataformas de comercialização de material pornográfico.
O influenciador também apresenta uma comparação entre dois vídeos de entrevistas políticas. Em um deles, a suposta apoiadora de Flávio Bolsonaro responde a perguntas sobre suas posições ideológicas. Questionada sobre por que se identifica com a direita, declara: “Porque eu defendo as pautas que a direita defende, a vida desde a concepção, eu defendo a família”.
Na sequência, Guga exibe uma gravação com a reacionária paranaense Cristina Graeml dando exatamente as mesmas respostas. Os responsáveis pelo perfil utilizaram inteligência artificial para substituir a pessoa que aparece na entrevista original, preservando o conteúdo das declarações.
Os usuários atraídos pelos vídeos políticos são direcionados aos stories do perfil, onde encontram links para a compra de conteúdo adulto em grupos do Telegram. Os valores cobrados, conforme a denúncia, variam entre R$ 30 e R$ 40. “Aí os caras se emocionam, vão lá nos stories dela, vê que ela tem um segredinho, clica e acaba pagando ali trinta, quarenta reais para poder receber conteúdo pornô feito por inteligência artificial”, relata.
A personagem também foi identificada nas redes como Julia Cortez. Uma reportagem publicada nesta terça-feira (20) descreve outro vídeo manipulado em que ela aparece dançando ao lado de Flávio Bolsonaro, substituindo digitalmente o deputado Nikolas Ferreira em uma gravação original. O perfil no Instagram também divulgava acesso a um canal de conteúdo erótico.
Um levantamento do projeto VigIA, da Agência Lupa, identificou 920 publicações com uso confirmado de inteligência artificial durante a campanha do primeiro turno de 2026. Desse total, 554 eram deepfakes, técnica utilizada para simular imagens, vozes ou situações envolvendo pessoas reais.
A loirona do Flávio Bolsonaro. 👇🏻 https://t.co/dTULA4GzsW
— Guga Figueiredo (@gugafigu) October 19, 2026