
Parlamentares avaliam que uma eventual eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência não garantiria a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a coluna de Letícia Casado no UOL. O procedimento depende do Senado, e congressistas veem obstáculos políticos e numéricos para que um afastamento avance.
Na leitura de integrantes do Congresso, a presidência do Senado terá peso decisivo. Se o senador Rogério Marinho (PL-RN) comandar a Casa, aumentariam as chances de abertura de processos contra magistrados; sob um nome do Centrão, o cenário seria menos favorável à iniciativa.
Congressistas também consideram que um processo de impeachment pode consumir o primeiro ano de um novo governo. A tramitação mobilizaria o Senado e poderia dificultar a articulação política do presidente eleito, seja Flávio Bolsonaro ou o presidente Lula (PT).
Para afastar um ministro do STF, o Senado precisa reunir 54 votos favoráveis, equivalente a dois terços da Casa. Parlamentares dizem que uma maioria inicial não assegura o resultado, especialmente porque a votação ocorre de forma secreta.

Voto secreto e acordos podem mudar o cálculo no Senado
A bancada do PL teria 29 senadores e contaria com os três parlamentares do Novo. Mesmo entre aliados, um parlamentar bolsonarista calcula ao menos cinco baixas em uma eventual votação pelo afastamento de um ministro do Supremo.
Deputados e senadores ouvidos em conversas reservadas apontam que o voto secreto torna imprecisa a contagem de apoios. Senadores que defendem publicamente o impeachment podem votar contra a medida sem expor sua posição no plenário.
Outro fator citado é a possibilidade de um acordo entre ministros do STF, parlamentares e o próprio Flávio Bolsonaro. Congressistas experientes avaliam que negociações de bastidor podem buscar uma acomodação entre os grupos envolvidos e reduzir a chance de uma crise institucional prolongada.
Um líder do centrão citou o apoio do ex-presidente Michel Temer (MDB) a Flávio Bolsonaro após o primeiro turno como um possível canal para conversas sobre o futuro do ministro Alexandre de Moraes. Temer indicou Moraes ao STF em 2017, quando ocupava a Presidência da República.