
Conhecido como “Barão do Agro”, o empresário Nelson José Vigolo, dono do Grupo Bom Jesus Agropecuária, doou R$ 1,1 milhão à campanha de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. O valor o colocou como o segundo maior financiador privado do senador na etapa final da disputa eleitoral.
Flávio Bolsonaro recebeu R$ 20,3 milhões em doações privadas no segundo turno. A contribuição de Vigolo equivale a pouco mais de 5% desse total.
Vigolo é empresário de Rondonópolis, em Mato Grosso, e foi denunciado pelo Ministério Público da Bahia em 2021. A acusação o relaciona a um esquema de venda de sentenças sobre disputas de terras no estado.
A denúncia integra a Operação Faroeste, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção em um grupo acusado de buscar proteção judicial em processos envolvendo propriedades rurais. A investigação tratou de conflitos ligados à grilagem de terras.

Denúncia apontou negociação de R$ 1 milhão com juiz
Segundo a denúncia do Ministério Público da Bahia, envolvidos no caso negociaram o pagamento de R$ 1 milhão para que um juiz se declarasse suspeito em ações de interesse do Grupo Bom Jesus. A medida impediria que ele tomasse decisões desfavoráveis ao grupo, conforme a acusação.
Vigolo firmou acordo de colaboração premiada e teria assumido o compromisso de devolver R$ 20 milhões, conforme informações divulgadas à época sobre o caso.
O Grupo Bom Jesus Agropecuária também enfrentou acusação de fraude bilionária em seu processo de recuperação judicial, iniciado em 2016. A empresa atua no setor agropecuário e tem sede em Rondonópolis.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público em 2021 não representa condenação. O caso envolvendo Vigolo e outros investigados na Operação Faroeste tramita na Justiça.