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PF encontrou ossada em fazenda de empresário que doou R$ 2 milhões a Flávio

Flávio Bolsonaro
Foto: Reprodução/TSE

O empresário Elói Vitório Marchett, que doou R$ 2 milhões à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), teve uma ossada humana encontrada pela Polícia Federal em uma de suas fazendas em novembro de 2003. O episódio foi recuperado pelo jornalista Paulo Motoryn, na newsletter Noites Húngaras, em levantamento que reúne reportagens antigas sobre investigações envolvendo o produtor rural de Mato Grosso.

Os restos mortais foram encontrados em 24 de novembro daquele ano na Fazenda São Gabriel, a aproximadamente 60 quilômetros de Rondonópolis. Segundo os registros recuperados, um advogado procurou a polícia após receber informações sobre um corpo enterrado na propriedade. Os agentes cumpriram um mandado de busca e localizaram a ossada no ponto indicado.

A diligência ocorreu no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de trabalho em condições análogas à escravidão. Entretanto, conforme reportagem do Diário de Cuiabá publicada na época, os policiais não encontraram indícios dessa prática durante o cumprimento daquele mandado. Os advogados de Marchett sustentaram que a morte poderia ter resultado de uma briga entre funcionários, sem conhecimento do proprietário.

Em 27 de novembro de 2003, o mesmo jornal informou que a PF ainda tentava identificar a vítima e buscava informações sobre trabalhadores que haviam deixado a fazenda. Os registros reunidos pela Noites Húngaras não apresentam evidências de participação de Marchett em crime relacionado à ossada nem esclarecem o desfecho daquela investigação.

Elói Vitório Marchett Flávio Bolsonaro
O candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o empresário Elói Vitório Marchett. Foto: Arte/Noites Húngaras

Em 2007, o empresário voltou ao noticiário policial por causa da Operação Zaqueu. Segundo o levantamento de Motoryn, Marchett foi indiciado por contrabando e formação de quadrilha, em uma investigação sobre uma rede que atuava na fronteira entre Brasil e Paraguai. A Sementes Carolina, empresa de sua propriedade, era apontada como destinatária de agrotóxicos contrabandeados.

Reportagem publicada pelo Repórter News em 26 de junho de 2007 registrou que a Justiça Federal em Campo Grande havia bloqueado R$ 1 milhão de suas contas e decretado sua prisão temporária no dia 8 daquele mês. Na ocasião, o empresário era considerado foragido. A defesa buscava a revogação da prisão e argumentava que ele tinha residência fixa, família constituída e não possuía antecedentes criminais.

Marchett atua em negócios ligados à soja, sementes, pecuária e transporte de cargas. Neste segundo turno, aparece entre os financiadores da campanha de Flávio Bolsonaro. A contribuição de R$ 2 milhões foi feita em duas transferências de R$ 1 milhão, conforme reportagem de Felipe Salgado, do Metrópoles, citada por Motoryn.

O levantamento não informa o resultado definitivo do processo da Operação Zaqueu e não permite afirmar que Marchett tenha sido condenado pelos crimes investigados. Também não apresenta evidências de origem ilícita da doação ou de conhecimento de Flávio sobre os episódios.